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A Responsabilidade Social Empresarial e a ética

6 06UTC Outubro 06UTC 2008 · Deixe um Comentário

O artigo de hoje de Sarsfield Cabral no jornal “Público” com o título “Ética e mercado” fez-me lembrar o que a propósito da Responsabilidade Social Empresarial em tempos escrevi:

“(…) Seja qual for a forma como sistematizamos esta responsabilidade das organizações perante a sociedade, parece consensual, entre os autores, que as organizações não são vista pelos públicos apenas como sistemas económicos, mas também como sistemas sociais e como tal têm responsabilidades para com a sociedade. Assim, todas as organizações são responsáveis pelos impactos que a sua actividade provoca nos cidadãos enquanto seres individualmente considerados, na sociedade e no meio ambiente.

 

Esta ideia de responsabilidade pelos impactos provocados pela acção das organizações compreende uma noção de organização como sistema composto por sub-sistemas, logo a responsabilidade pelo bem-estar financeiro, físico e psicológico dos colaboradores directos. Assim, a concretização da responsabilidade social corporativa passa pelo interior da organização: equidade nos sistemas de remuneração e benefícios entre diferentes linhas hierárquicas; equidade nas oportunidades de progressão na carreira sem diferenciação quanto ao género, idade ou deficiência; justeza face ao trabalho desenvolvido versus remuneração (aqui surge com particular relevância o uso de estagiários não remunerados); preocupação com o nível de saúde que se vive na organização (cumprindo as obrigações legais de medicina no trabalho, mas também reflectir sobre o impacto do número de horas de trabalho, stress e condições físicas de desenvolvimento desse trabalho); respeito pela noção de família dos seus colaboradores e ainda o estímulo às relações interpessoais que não se resumam ao uso dos meios electrónicos como forma de as concretizar.

Não se pretende com esta enumeração ser exaustivo nas formas de concretizar a responsabilidade social corporativa no interior das organizações, mas tão só ilustrar situações possíveis para que melhor se clarifique a ideia subjacente a este conceito.

 

O mesmo poderemos fazer em termos de responsabilidade social corporativa face ao meio que envolve a orgnização. Preocupações com o meio ambiente; respeito pelo sistema legal, como pagamento de impostos e outras contribuições sociais; gestão cuidada dos recursos do planeta; solidariedade e voluntariado; filantropia e, claro, com as grandes causas da humanidade, tão bem espelhadas na iniciativa do anterior Secretário-geral da ONU, Kofi Annan, naquilo que ficou designado por “Objectivos do milénio” ou ainda no “Global Compact”, ainda que em muitos casos se possa tão simplemente transpor para uma dimensão mais nacional estes objectivos. (…)”

 

Susana

Categorias: Democracia · Social · mercado

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