Recordar é viver e, eu, já só vivo de recortes:
Na madrugada de 25 de Abril, há 35 anos…
E no meio da revolta, um diálogo entre uma bolsa de forças que ainda resistiam:
“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Apresentamos a seguir a gravação de conversações via rádio entre os comandos adversos que por si só constitui documento que não deixa margem para dúvidas do êxito da acção desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas.
Chamamos portanto a vossa atenção para a gravação que foi captada da conversação que foi mantida pelos comandos adversos.
Digam se me estão a ouvir:
- Escuto
- Pelotão procedente de reconhecimento.
«Estão todas as saídas tapadas. Não há possibilidades de romper. Têm material blindado nas embocaduras de cada rua. Estou aqui com guarda. Mandei um pelotão fazer um reconhecimento. A Guarda fez também um reconhecimento e fez ligação com o quartel do Porto.
Parece que é o último reduto.»
- Creio que há um ultimato para entregar até às duas horas o Presidente do Conselho. Não sei se é verdade. Escuto.
- Que possibilidade vê de prosseguir a acção? Que meios pensa poderia ter à sua disposição para prosseguir a operação?
- Não entendido. Escuto.
- Volto a dizer que meios tem para prosseguir a operação?
- Não vejo possibilidade porque está tudo atravancado e aqui há muita população metida no meio, que não nos hostiliza porque julga que estamos do outro lado. De forma que não vejo bem que os meios aéreos possam limpar aquilo.
Não acredito que tenha qualquer possibilidade de fazer qualquer acção ali.” –
in Jornal República de 25/4/74
…e ao final da tarde!

Hemeroteca Digital - CML

1 response até agora ↓
Maria // 25 25UTC Abril 25UTC 2009 às 16:46
Atenção que são 35 anos e não 36…