Os Estados, as marcas e os Estados-marca

É verdade que o tema não está já tanto na berra, mas provavelmente voltará quando outro livro, ou outro “prós e contras” ou outros senhores do marketing político se lembrarem e portanto vou já adiantando serviço!

Como vos dizia, aqui há uns meses ouviu-se e viu-se um debate de ideias sobre a marca “Portugal”.

Como sabemos e doutos investigadores nos vêm demonstrando, a base de uma marca reside na identidade. Ora, se o conceito marca é (por força de ganhar sentido) visível, o conceito identidade não o é, e nem o tem de ser! Não tem de ser visível, mas tem de ser conhecido por quem se arroga ao saber de gerir marcas. Este é talvez o ponto mais sensível desta questão.

Aquando do debate sobre a marca “Portugal” ouvi esgrimir argumentos sobre o que é e o que deve ser esta marca, que tratamento dar, como a trabalhar, mas não ouvi falar sobre a identidade de Portugal!

Na verdade, ouvi falar dessa identidade, mas no contexto dela própria. Ouvi sábia reflexão sobre o assunto proferida e reflectida pelo Prof. Doutor Adriano Moreira num conjunto (que o assunto é demasiado vasto para um programa apenas) de programas de televisão. Pensei, ingenuamente, que aquando da discussão sobre a marca “Portugal” a base fosse esse mesmo programa ou algumas das ideias centrais nele apresentadas. Mas, não!

Assim sendo, a ideia com que fiquei é que agora, à semelhança do que no passado alguém dizia “vendo Presidentes, como vendo sabonetes”, vamos vender este país, como quem vende produtos de uma qualquer empresa!

A ideia de que, na nossa relação com as entidades públicas,  somos Clientes tem vingado na mente de alguns…já não somos cidadãos! De munícipes fomos “promovidos” a Clientes! De estudantes, passamos a clientes internos das universidades! Agora é assim que falam connosco e é assim que agora pensam em nós e é assim que agora orientam as suas estratégias de comunicação – do outro lado há sempre clientes, não importa o que de cá somos!

Seguindo estas lógicas, então tenho algumas sugestões a fazer:

Ponto 1: Faça-se um restyling (que nestas coisas temos que pôr umas palavritas em inglês, que fica sempre bem!) e acabe-se com a designação “Presidente da República”, sem passar pela de “Presidente do Conselho de Administração”, indo directamente para a designação “Chairman“;

Ponto 2: Na mesma linha fashion, passe-se de “Primeiro-ministro” para “CEO de Portugal”;

Ponto 3: À “Constituição da República” chamem-lhe “Missão e Valores”;

Ponto 4: Tendo já um cartão único sido implementado, por favor introduzam um upgrade e por cada euro pago em impostos, taxas ou pagamento de qualquer serviço público creditem na conta “Tap Vitória” 1 milha ou 1Km num cartão de fidelidade da CP (uma espécie de alargamento da gama de serviços a concretizar a ideia do “vá para fora, cá dentro”);

Ponto 5:  De “Diário da República” passemos para  intranet nacional (sim, que os boletins internos são pré-históricos!).

Enfim, aqui ficam algumas ideias para esta marca “Portugal”.

Depois, faremos umas belas tertúlias não já como cidadãos, mas como motivados e envolvidos clientes desta nação!

Susana

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