Como os tempos se assemelham…
No tempo da monarquia várias vezes os príncipes de Portugal e de Espanha atravessaram as fronteiras para concretizarem os casamentos combinados pelos pais, segundo os interesses das cabeças reinantes.
Não foram poucos rapazes e raparigas, leia-se príncipes e princesas, ainda, adolescentes, seguidos por grandes séquitos para o real momento: o enlace.
Os príncipes eram encaminhados para a boda com grandes dotes materiais (jóias, etc), sendo acompanhados até à fronteira por reis, nobres, clérigos (muitas vezes com permissão do Papa, em especial, em enlaces de familiares directos), muita festa e populaça. Na chegada ao destino o festim era idêntico, culminando com a celebração do casamento e festas que se seguiam. Era um momento para todos, povo incluso. Para os futuros nubentes, desejava-se muitos filhos, de preferência varões, por causa da sucessão.
Hoje, os casamentos já são entre adultos, logo reis, conscientes do que querem e valem, sendo a transacção / dote um pouco “desigual”, o futuro rei dá os seus dotes naturais, físicos e, o que a sua “marca” vende e, a “noiva”, dá muitos, muitos milhões de euros, esperando no futuro que este rei lhe dê muitas glórias e muito dinheiro a ganhar.
Sim, estamos a fazer o paralelismo entre o CR9 – Cristiano Ronaldo e o Real de Madrid (RM). Hoje, o mundo vai poder assistir ao “casamento” mais caro deste século e dos anteriores, do CR9 com o RM, através da televisão e Internet. Quanto ao espectáculo, nada mudou. Muita festa (circo), muita gente, muito dinheiro o transaccionado mais o lucro esperado com a “compra” (no passado, a união dos reinos).
Ontem como hoje ninguém leva a mal, afinal tratasse de um rei, mesmo com fome, com peste (gripe A) e desemprego o que conta mesmo é a FESTA. Viva o rei!
Ana de Sousa