Daily Archives: 30 de Setembro de 2009

Presidência: entre escutas e bruxas, em que ficamos?

Há algum tempo, entreti-me aqui a debitar algumas palavras, sobre a “silly season”, ou se quisermos, utilizando uma linguagem mais popularucha, a época dos tolos.

Esta época dos tolos, foi sempre um momento óptimo, para se dizer ou fazer, o que não temos coragem de fazer no resto ano.

Confesso, que não faço a “mínima” [ideia], das razões que levam à identificação desta época, como a época dos tolos.

orelha3[1] Foi também neste período, que se começou a teorizar, sobre as hipotéticas escutas à Presidência da República.

No meio daquela cena da mudança de bandeiras na Câmara de Lisboa, a notícia até me deixou todo baralhado.

No caso das bandeiras, ainda pensei que fosse uma manobra publicitária dos “Gatos Fedorentos”, mas rapidamente percebi que era coisa de tolos a sério.

No caso do PR, a notícia já me tirou do sério…

Quero dizer, não sei bem se fiquei sério, se sorri, pois não consegui pensar alguma coisa coerente.

Que há escutas, é coisa que todos sabemos. Também há bruxas e se fizermos esforço, também podemos acreditar em Gnomos.gifs-animados-orkut-bruxas-05[1]

Até acredito, que de certeza, há alguém, destacado, para lêr as minhas palavras e assim tentar absorver e retirar, as minhas mensagens subliminares.

E acredito nisto tudo, porque, como todos nós, tenho uma costelazinha de teórico da conspiração.

E as escutas, são como as Bruxas: “ …Que las hay, las hay!”

Agora o que me preocupou, foi o prolongamento da época.

Chegámos a Setembro, o grande momento, em que se colocam professores e se  prepara o início do ano lectivo, que é como quem diz, uma época mais séria, pois prepara-se o futuro dos mais novos e, insistentemente, continua-se a falar das escutas e do Sr. Presidente da República.

Aí os meus sentidos, ainda dormentes da época anterior, puseram logo as anteninhas no ar, a coisa, agora, sim!

Parecia coisa séria…

Mas afinal o que se está a passar?

…Aquela velha pergunta de retórica, que tarde ou nunca, conhecemos a resposta!

Como acredito que há bruxas ( nunca vi nenhuma – consta que arderam todas!), também acreditei nesta coisa das escutas.

E também acreditei, que o Sr. Presidente, viesse logo satisfazer a curiosidade de todos nós.

Se eu for escutado, é claro que ninguém liga, até eu!

Mas agora a Presidência da República, é outra história…Ficamos logo todos de olhos revirados a olhar para ele.

E ficámos…

Mas em Agosto, só se ouviu o som das ondas…

Em Setembro, andávamos tão entretidos com o início do ano escolar e no meio, ainda andávamos em campanha eleitoral, que o Sr. Presidente, achou que não nos devia incomodar.cavacosilva2

É legítimo, só se deve incomodar as pessoas, quando temos motivos sérios e ponderosos para o fazer, de outra maneira, devemos deixar descansado, quem anda atarefado.

Depois, lá para o fim de Setembro, deu-se aquela coisa das eleições.

Foi uma felicidade, mais feliz para uns e, menos feliz para outros.

Assim uma coisa tipo: Todos diferentes e todos tão iguais!

E no meio desta felicidade, o Sr. Presidente, finalmente, deu-se ao trabalho de nos incomodar, com os seus problemas.

Como muito bem referiu, até nem costuma fazer coisas destas.

Só o fez, porque foi obrigado.

santinhoE eu acredito que foi obrigado, porque ele me disse e, eu sou dos que vou acreditando nele, porque é o meu Presidente e, se eu não acreditar no Presidente, vou afinal, acreditar em quem??

E eu acreditei em tudo…

O problema, é que não percebi bem…

Afinal, em que é que tenho de acreditar??

Ulisses Neves Pinto

P.S.: Para os mais desatentos, por causa das escutas, tive de utilizar o branco em algumas frases. Umas gotinhas de limão e ficam com o problema resolvido.

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Até o Provedor

Há momentos infelizes!
A intervenção, de ontem, do Presidente da República revela que até o PR tem dias muito infelizes. É vê-lo na pele do cidadão Aníbal Cavaco Silva. É difícil, para não dizer impossível ver neste registo o Presidente de todos os portugueses. Em vez disso, temos um cidadão comum, um discurso em que muitas das coisas não fazem sentido, desde logo o não ter actuado há mais tempo, não o ter feito nos locais e com as pessoas certas, falta de tacto no timing escolhido, e pasme-se a alta preocupação com o sistema informático de Belém que, segundo o PR regista alguma vulnerabilidade. Até no Pentágono isso acontece.

Há maldades escondidas!
Por tudo isto, sente-se que a máscara caiu e ficou o homem, com sentimentos de raiva, de intolerância, com ódios de estimação…

Há poeira no ar!
O que resta? Muita ambiguidade, muito por dizer. Será que há mesmo algo mais a dizer. Para o cidadão comum, fica quase a certeza que alguém tramou Belém (PR). Acaso a “guerra” que rebentou no Público? Despedimentos, negociação de contratos, ambiente de cortar à faca. Não esquecer a polémica entre o JMF e o Joaquim Vieira, o provedor do leitor. Com estes ingredientes, alguém verdadeiramente ferido de morte pode ter dado a conhecer aos dois jornais a informação que só o Diário de Notícias publicou. Até esse momento, nada tinha acontecido de concreto, nem desmentidos, nem o afastamento de nenhum assessor, nem sequer a avaliação do sistema informático, este só foi analisado ontem.

Não admira que todos os portugueses digam à boca cheia que é preciso mais explicações. Até o Provedor da Justiça, enquanto cidadão, referiu precisar de ser esclarecido.

Aguardemos os próximos episódios, o Dr. Aníbal Cavaco Silva sempre nos tem brindado com os seus tabus. Só lamentamos que a sua temosia não o deixe ouvir quem tem bom senso.

Ana de Sousa