Há algum tempo, entreti-me aqui a debitar algumas palavras, sobre a “silly season”, ou se quisermos, utilizando uma linguagem mais popularucha, a época dos tolos.
Esta época dos tolos, foi sempre um momento óptimo, para se dizer ou fazer, o que não temos coragem de fazer no resto ano.
Confesso, que não faço a “mínima” [ideia], das razões que levam à identificação desta época, como a época dos tolos.
Foi também neste período, que se começou a teorizar, sobre as hipotéticas escutas à Presidência da República.
No meio daquela cena da mudança de bandeiras na Câmara de Lisboa, a notícia até me deixou todo baralhado.
No caso das bandeiras, ainda pensei que fosse uma manobra publicitária dos “Gatos Fedorentos”, mas rapidamente percebi que era coisa de tolos a sério.
No caso do PR, a notícia já me tirou do sério…
Quero dizer, não sei bem se fiquei sério, se sorri, pois não consegui pensar alguma coisa coerente.
Que há escutas, é coisa que todos sabemos. Também há bruxas e se fizermos esforço, também podemos acreditar em Gnomos.
Até acredito, que de certeza, há alguém, destacado, para lêr as minhas palavras e assim tentar absorver e retirar, as minhas mensagens subliminares.
E acredito nisto tudo, porque, como todos nós, tenho uma costelazinha de teórico da conspiração.
E as escutas, são como as Bruxas: “ …Que las hay, las hay!”
Agora o que me preocupou, foi o prolongamento da época.
Chegámos a Setembro, o grande momento, em que se colocam professores e se prepara o início do ano lectivo, que é como quem diz, uma época mais séria, pois prepara-se o futuro dos mais novos e, insistentemente, continua-se a falar das escutas e do Sr. Presidente da República.
Aí os meus sentidos, ainda dormentes da época anterior, puseram logo as anteninhas no ar, a coisa, agora, sim!
Parecia coisa séria…
Mas afinal o que se está a passar?
…Aquela velha pergunta de retórica, que tarde ou nunca, conhecemos a resposta!
Como acredito que há bruxas ( nunca vi nenhuma – consta que arderam todas!), também acreditei nesta coisa das escutas.
E também acreditei, que o Sr. Presidente, viesse logo satisfazer a curiosidade de todos nós.
Se eu for escutado, é claro que ninguém liga, até eu!
Mas agora a Presidência da República, é outra história…Ficamos logo todos de olhos revirados a olhar para ele.
E ficámos…
Mas em Agosto, só se ouviu o som das ondas…
Em Setembro, andávamos tão entretidos com o início do ano escolar e no meio, ainda andávamos em campanha eleitoral, que o Sr. Presidente, achou que não nos devia incomodar.
É legítimo, só se deve incomodar as pessoas, quando temos motivos sérios e ponderosos para o fazer, de outra maneira, devemos deixar descansado, quem anda atarefado.
Depois, lá para o fim de Setembro, deu-se aquela coisa das eleições.
Foi uma felicidade, mais feliz para uns e, menos feliz para outros.
Assim uma coisa tipo: Todos diferentes e todos tão iguais!
E no meio desta felicidade, o Sr. Presidente, finalmente, deu-se ao trabalho de nos incomodar, com os seus problemas.
Como muito bem referiu, até nem costuma fazer coisas destas.
Só o fez, porque foi obrigado.
E eu acredito que foi obrigado, porque ele me disse e, eu sou dos que vou acreditando nele, porque é o meu Presidente e, se eu não acreditar no Presidente, vou afinal, acreditar em quem??
E eu acreditei em tudo…
O problema, é que não percebi bem…
Afinal, em que é que tenho de acreditar??
Ulisses Neves Pinto
P.S.: Para os mais desatentos, por causa das escutas, tive de utilizar o branco em algumas frases. Umas gotinhas de limão e ficam com o problema resolvido.