Com a mudança da hora, terminou a “silly season”, a época das brincadeiras e dos namoricos de praia.
Agora temos o dever de levar a sério, tudo o que fazemos e dizemos.
Não acho que assim tenha sido…
O escritor José Saramago, que hoje, temos alguma dificuldade em perceber, se é Português, se é espanhol, pois nasceu cá, mas vive em Espanha…
…Que nunca temos a certeza, se pensa em português, se pensa em espanhol, resolveu, no seu estilo provocatório, anunciar, que a Bíblia não passa de um repositório de maus costumes.
Por isso, esta afirmação, que fez mover montanhas, que antes estavam sossegadas, deixa-nos na dúvida se foi pensada em espanhol e depois traduzida para português, ou se pelo contrário, pensada em português e depois traduzida nas várias línguas, aqui claro, incluindo o espanhol.
Fosse como fosse, logo que as ditosas palavras saíram da sua boca, choveram “raios e coriscos”, trovejou a norte… geou a sul.
Enfim ficou tudo seco e hirto e, alguns até congelaram com tais palavras.
Não venho para aqui, defender o escritor, primeiro porque ele não precisa de mim.
Depois, porque, pobre de mim, era logo crucificado na praça pública e, quem sabe, teria ainda, direito a uma fogueirita, das que ainda sobraram da Santa Inquisição, sim, porque não foram todas utilizadas…ainda ficaram umas quantas em armazém.
Também não me apetece vir para aqui, fazer juízos de valor, pois dissesse o que dissesse, ou defendesse o que defendesse, tenho a certeza, que me fartava de dar tiros nos pés e, coisa que eu odeio, é coxear!
Pois…Se eu me pusesse aqui a dizer, que o escritor está cheio de razão e, que o que ele diz é tudo verdade, da mais pura, bem, aí…
Ai credo, meu Deus! Eu, um ateu convicto, estava a dizer, que afinal, a minha vida, a minha cultura, a minha história, não passavam de um repositório, de todos esses maus costumes?
Não seria capaz de tal HERESIA!
Mesmo que fosse verdade, eu em primeiro e, depois, todos os que se entretêm a ler estas coisas, tenho a certeza, nenhum deles, me iria perdoar.
Por isso, não me vou pôr aqui, com lérias.
Mas como vivemos em DEMOCRACIA e, a democracia é também, ter o direito, a uma opinião.
E, como também é verdade, que somos povos religiosamente tolerantes, mesmo que esta tolerância, tenha sido construída sobre piras flamejantes.
É pois, esta, a tolerância, que nos permitiu construir as sociedade ocidentais, assente, talvez nos maus costumes da Bíblia ( leia-se a bom rigor: – no Antigo Testamento).
É também, este espírito de partilha de ideias, de tolerância e, de DEMOCRACIA, que permite, a cada um de nós, a capacidade para aceitar, em concordância ou em discordância, as ideias de José Saramago.
A CIDADANIA, não é, nem pode ser, um mero repositório de ortodoxias, fundamentalismos irracionais ou simplesmente radicalismos injustificados.
Ou simplesmente, uma oportunidade, para péssimos protagonismos…
Em minha opinião, foi o que acabou, por acontecer.
Pessoalmente, nem acho que os Católicos, tenham sido especialmente visados, visto que, a parte da Bíblia a que Saramago se refere , parece ser o Antigo Testamento, que não constitui o texto fundamental, para estes crentes!
E, concordo, o Antigo Testamento traz o relato de algumas cenas, que a bem da verdade, fora do contexto histórico, poderiam ser vistas e interpretadas, como maus costumes.
Por isso, só quem não leu a Bíblia, poderia produzir afirmações, também elas, descontextualizadas.
Aliás, o que eu acho, é que alguns dos detractores, apareceram, pelo lado da ignorância, dos contextos.
Se a Bíblia deve ser lida, tendo o cuidado de não fazer interpretações literais do que está escrito, parece-me óbvio, que o mesmo princípio deve ser aplicado ao escritor José Saramago.
Não estou certo, de que tenha sido o que aconteceu.
Se a afirmação de Saramago, permitiu que uns quantos, incluindo-me, viessem para a Praça Pública, opinar, também permitiu, que outros ( leia-se, eurodeputado Mario David), com uma necessidade de protagonismo fácil, nos premiassem, com um mau exemplo de Cidadania.
É a Bíblia um manual de maus costumes?
Na dúvida e, enquanto Ateu convicto, sobra-me a certeza, que Saramago, arrastou, sem necessidade, um conjunto de ideias, que desnecessariamente, afrontaram as crenças individuais de toda uma comunidade e, assim, escusadamente, feriu sensibilidades.
É caso para recitar: – Perdoai Senhor, aos pecadores, que no contexto do momento, têm o mau costume, de não conseguir, concentrar-se nas questões importantes, deste País.
Ulisses Neves Pinto
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