Monthly Archives: Fevereiro 2010

Parabéns

Parabéns ao blog e aos nossos leitores, já ultrapassámos os 9100 visitantes.
Deixo um poema para reflexão.

“Falas de civilização…

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro”

Ana de Sousa

Ana de Sousa

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Miguel Ângelo

O livro mais caro alguma vez feito, com capa em mármore, está desde 8 de Fevereiro exposto no hall da Biblioteca Nacional. Chama-se “Miguel Ângelo”, incorpora uma capa feita em mármore, que pesa mais de 20 quilos, e é uma reprodução exacta de um baixo-relevo do Miguel Ângelo feita com pedra da mesma pedreira.
É um original único de uma edição limitada, é o número 22 de uma colecção de 99 para todo o mundo e que tem como critério não haver mais do que um por país.
Considerado uma verdadeira obra de arte, o livro reúne 45 gravuras de desenhos e documentos do artista italiano, além de 83 fotos originais das esculturas de Miguel Ângelo feitas pelo fotógrafo Aurelio Amendola.
O veludo de seda que cobre a capa foi confeccionado em teares antigos, capazes de produzir apenas oito centímetros de tecido por dia.
O luxuoso papel, em puro algodão, é produzido à mão, fibra por fibra. A encadernação também é toda feita à mão e costurada página a página.
“Michelangelo – La Dotta Mano” (“Miguel Ângelo – A Mão Sábia”, em tradução literal) foi lançado por ocasião dos 500 anos do início dos frescos do artista na Capela Sistina, no Vaticano, e a primeira edição esgotou-se cerca de um mês após o lançamento.
Esta obra adquirida para Portugal, por um mecenas que não quer ser identificado, permite enriquecer o património artístico.

Ana de Sousa

Uma Campanha Alegre – Volume I, Eça de Queirós

Mudam-se os tempos, mas não as mentalidades. Vem isto a propósito de um breve olhar sobre As Farpas crónicas publicadas mensalmente da autoria de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão. Porém, a nomeação de Eça como Cônsul de Havana obrigam-no a abandonar o projecto. A parte escrita por Eça foi publicada em 1890, em dois volumes com o título Uma Campanha Alegre.

“Junho 1871
Leitor de bom senso, que abres curiosamente a primeira página deste livrinho, sabe, leitor celibatário ou casado, proprietário ou produtor, conservador ou revolucionário, velho patuleia ou legitimista hostil, que foi para ti que ele foi escrito – se tens bom senso! E a ideia de te dar assim todos os meses, enquanto quiseres, cem páginas irónicas, alegres e justas, nasceu no dia em que pudemos descobrir, através da ilusão das aparências, algumas realidades do nosso tempo,
Aproxima-te um pouco de nós, e vê.
O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia.
Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui.”

Ana de Sousa