Quer se queira, quer não, nos dias que correm, é importante termos uma voz que nos sirva de baliza perante o manancial de informações que vão surgindo nos diferentes quadrantes de opinião.
Não tenho dúvidas que a voz de António José Seguro é uma dessas referências.
No “Expresso” de 15 de Maio, muitos ficaram surpreendidos com a sua entrevista de Vida. O Homem da discrição, firme nas suas convicções e trabalhador afincado, mas até agora na sombra da alternativa, é capa da “Única”. – É agora, pensei! Já urgia!
Pessoalmente, a minha expectativa era grande, mas não fiquei surpreendido. Estava à espera dela. Confesso até que com alguma ansiedade. Era tempo de podermos comungar as suas palavras, reflectir, e se calhar imaginar que o impossível, afinal admite sempre possibilidades alternativas.
Nesta entrevista, encontrei, prazenteiro, um António (que o José e o Seguro me perdoem a falta de cerimónia!), utilizando palavras simples, sem pretensiosismo, sem “esqueletos no armário”, nos conta a sua vida e o seu intuito político de servir da melhor forma a causa pública – contrariamente ao que muitos, demasiados, têm vindo a esquecer.
Mas, verdadeiramente importantes na entrevista não são os fait-divers. O importante é o retrato traçado de um socialista que se afigura como o motor da mudança. Da mudança da sociedade portuguesa para a assumpção de outros valores, aqueles que nos vão permitir singrar. Um socialista que não esquece o seu passado, mas luta por um futuro melhor, um futuro alternativo, um futuro em que todos nós possamos encarar as dificuldades, como factos com solução.
Obrigado António José Seguro, por esta entrevista. Voltei a acreditar que ainda existem políticos, que não se esquecem que são humanos e como todos nós que como qualquer de nós, não deixa de sentir as dificuldades.
Obrigado, António, porque a crise não turva as ideias e não cala a voz de uma pessoa que, com todo o sentido de oportunidade nos diz que há alternativa, e que, creiam, é certa e segura!
Ulisses Neves Pinto