Monthly Archives: Junho 2010

Sabia que …

O português consome em média 3 vezes mais proteínas, obtidas a partir do grupo das “carnes e miudezas, pescado e ovos”, e gorduras, que o recomendado pelos especialistas. Pelo contrário, o consumo de produtos hortícolas é apenas cerca de metade da estrutura indicada pela Roda dos Alimentos. O consumo de frutos segue idêntica tendência, representando apenas 15% da capitação edível diária contra os 20% aconselhados pela Roda dos Alimentos. Já o consumo de cereais, raízes e tubérculos e de leite e derivados encontra-se próximo do recomendado.

Fonte: Balança Alimentar Portuguesa 1990 a 2003 – INE

Ana de Sousa

Museu inclusivo – Exemplo a replicar

O Museu do Papel Moeda, que funciona na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, decidiu perguntar à comunidade o que poderia fazer por ela. E ela respondeu. O resultado é uma programação que ensina toda a gente a lidar melhor com o dinheiro.
Das actividades oferecidas em 2010, destacamos:

– oficinas para jovens e adultos com dificuldades de aprendizagem e défice cognitivo, do Centro de Educação e Formação Profissional Integrada da Vilarinha, em Aldoar, onde os participantes puderam ficar a conhecer melhor o dinheiro, desde a primeira nota, impressa na China, um enorme papel azul com dragões, até ao aparecimento dos fundos de dívida pública, às acções e aos mecanimos de impressão e destruição das notas;

– de seguida, é o Serviço Educativo do Museu que vai ao centro, ensinar-lhes como funciona o sistema financeiro, como circula o dinheiro e todos os riscos associados a esse mundo. Isto é muito importante para a autonomia deles. Ficam com a noção de para que serve o dinheiro e que é preciso poupar;

– preparação de uma peça de teatro com idosos e crianças chamada “Saudades do escudo” e um projecto de pesquisa histórica com o Agrupamento de Escolas Manoel Oliveira, em Aldoar.

Este projecto chama-se Mediação do Museu do Papel Moeda na Comunidade e começou, em 2007, com uma pesquisa exaustiva sobre as instituições que existiam em redor do museu e como poderiam aprender com ele. A ideia foi criar um “programa social para que as pessoas melhorem competências” no que ao dinheiro diz respeito, seja da forma mais complexa (como as conferências para os alunos do 12º ano) ou mais lúdica (como a peça de teatro em que os idosos podem exprimir as suas dificuldades de adaptação ao euro).

O Museu do Papel Moeda fica ao fundo da Avenida da Boavista e dirigiu-se às freguesias da zona ocidental – Aldoar, Ramalde, Foz do Douro, Nevogilde e Lordelo do Ouro. As escolas secundárias Clara de Resende e Garcia da Orta tiveram direito a conferências sobre os criminosos financeiros (com a presença de profilers da Polícia Judiciária; e literacia financeira) com participação de especialistas da DECO, da Associação Reviravolta (Comércio Justo), do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Ana de Sousa

Maestrina Joana Carneiro

Pelo seu talento, a maestrina Joana Carneiro, directora musical da Berkeley Simphony, nos Estados Unidos, recebeu o prémio Helen M. Thompson.

Parabéns.

Estas notícias fazem-nos acreditar que afinal é possível, temos muitos portugueses de quem nos orgulhamos.

Ana de Sousa

Saramago – A nossa homenagem

Na política

O primeiro sinal de acção política data de 1948-49, no âmbito da candidatura do general Norton de Matos a Presidente da República, em oposição ao candidato do regime, o também general Óscar Carmona. Este acto corajoso custou-lhe o emprego na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.

Adere ao PCP, no ano seguinte à da substituição de Salazar por Marcelo Caetano em São Bento, pela mão do amigo Augusto Costa Dias, editor e escritor. Antes daquela data, Saramago já colaborara longamente com o PCP.

Em 1988, dá um sinal de discordância em matéria de funcionamento interno do PCP ao subscrever o reformista Manifesto da ‘Terceira Via’. As três centenas de militantes que o fizeram reivindicavam maior democracia interna, em harmonia com os ventos da ‘perestroika’ soprados por Gorbachov na União Soviética.

Por vezes, revela-se muito incómodo para os poderes estabelecidos. Em 2002 causou clamor em Israel ao comparar “o espírito de Auschwitz [campo de concentração nazi] ao espírito de Ramallah [cidade palestiniana na Cisjordânia, ocupada por Israel]”.

Em 2007, avançou com a previsão surpreendente da integração de Portugal em Espanha, conservando embora a língua e tradições próprias, o que despertou imediatamente reacções contrárias, nomeadamente do Presidente Cavaco Silva.

Mais recentemente, novo sinal de moderação partiu do escritor, exprimindo apoio ao socialista José Luís Zapatero na corrida para renovação de mandato de chefe do Governo nas eleições legislativas espanholas de 9 de Março de 2008. A atitude contrastou com a do PCP, apoiante do PCE.

Na literatura

Os seus romances foram muitas vezes alvo de grande polémica, nomeadamente,
Evangelho segundo Jesus Cristo, que foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, pelo Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, em 1992.
Segundo Lara “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.”
Esta tomada de posição do subsecretário da Cultura António Sousa Lara, foi o empurrão final para uma decisão que já estava a ser equacionada por Saramago, viver alternadamente em Portugal e fora. Este incidente vai levar, no ano seguinte, o escritor e a mulher para Lanzarote (lhas Canárias), onde comprou uma vivenda, que passou a ser a residência fixa do casal.

Em 2009, acontece nova polémica com a Igreja desta vez com o lançamento do romance “Caim”.

Para a história, ficará um Nobel da Literatura portuguesa, um homem de coragem e um dos mais conhecidos escritores de língua portuguesa. Da sua obra destaco dois dos livros que mais me marcaram: “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995 e “Todos os Nomes”, de 1997.

Ana de Sousa

Sabia que…. O analfabetismo em Portugal

O analfabetismo da população foi uma das características que marcou o Portugal do século XX. Aquando da implantação da República, Portugal tem cerca de ¾ da sua população sem saber ler nem escrever, valor superior ao dos restantes países do Sul da Europa e muito distante da realidade do Norte da Europa, onde esse problema estava já controlado no início do século XX. Neste domínio estávamos com mais de um século de atraso em relação à Europa mais evoluída.

Em 1960, existiam em Portugal 40% de analfabetos, com uma taxa superior nas mulheres. Esse valor vem descendo até ao último momento censitário (2001), onde a taxa é de 9%, sendo 12% nas mulheres.
Sabendo-se que a eliminação do analfabetismo reside no aumento da escolarização das crianças e em políticas activas de alfabetização de outras camadas da população, a par da renovação de gerações, Portugal, apesar dos progressos verificados, entrou no século XXI ainda com uma parte significativa da população sem acesso a níveis elementares de informação – cerca de um milhão de portugueses encontrava-se nessa situação.

Para ilustrar o que atrás se refere, passamos a indicar a escolaridade obrigatória, por ano, a saber:

Em 1956
4ª classe (sexo masculino)
3ª classe (sexo feminino)

Em 1964
Escolaridade obrigatória – 6 anos

Em 1973
Escolaridade obrigatória – 8 anos

Em 1986
Escolaridade obrigatória – 9 anos (Dos 6 aos 15 anos)

Fonte: 50 anos de estatísticas da educação – Volume I, Instituto Nacional de Estatística, IP (INE) e Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação – GEPE

Ana de Sousa

É preciso avisar toda a gente

Hoje, vivemos com um grande défice de informação credível e, em especial, baseada em factos concretos. Vivemos um tempo do parece, foi dito e, por aí fora. Há muita falta de rigor. Por isso, é que o MEDO e o PESSIMISMO passam e se instalam tão facilmente na opinião pública.

Ouvi, no espaço de uma semana, duas personalidades da nossa praça, um jornalista (António Peres Metello) e uma deputada europeia (Ana Gomes) a dizerem coisas diferentes mas curiosamente convergentes. O primeiro, dizia que tem que se acabar com o Medo e olharmos para o que já foi feito (exemplo do aumento do PIB, algo que não era previsível), para ele é claro que há uma agenda que favorece este estado de coisas. A segunda, sublinhava o facto de só existirem na Europa três países socialistas: Portugal, Espanha e Grécia e, alertava para a forma como estes países estão a ser tratados. São dois alertas para nos ajudarem a ver melhor o que se passa e a lermos nas entrelinhas. Assim, está cada vez mais actual a cantiga que a dado momento diz:

(…)

É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha.

(…)

Ana de Sousa

Rui Tavares – O exemplo vem de cima

Neste tempo tão conturbado em que o mais importante é denegrir tudo o que foi feito e está a ser feito, sem rigor e sem a análise cuidada dos números divulgados (exemplo do resultado do PIB no 1º Trim. de 2010).
Não admira que a gestos isolados de solidariedade, também, se dê pouco relevo. Vem isto a propósito sobre a disponibilidade mensal do deputado do BE, Rui Tavares, de abdicar de 20% do seu salário (7.500 €) o que equivale a 1.500 € para apoiar bolsas de estudo.

Estes gestos devem ser divulgados e replicados, pois há muitos cidadãos e empresas neste país que muito têm beneficiado de apoios de vária ordem, nomeadamente, do Estado e, muitas vezes nem o obrigatório satisfazem, refiro-me ao pagamento de impostos e às contribuições para a Segurança Social.

Os poderosos deveriam ter vergonha face a esta atitude, pois em vez de contribuírem para o Bem Comum vão colocar o seu dinheirinho nos offshores e, depois com grande desplante em vez de reduzirem os seus lucros libertam-se das “gorduras” das empresas, claro os trabalhadores fazendo engrossar a fileira e a taxa dos desempregados. Ou, noutros casos, às vezes com laivos de responsabilidade social, dão trabalho a licenciados com pagamento de salários vergonhosos, nem uma empregada doméstica ganha isso hoje (sem desprimor para o trabalho doméstico), se tivermos em conta que recebem à hora 6,50 €.

Os sindicatos, também, não ficam bem na fotografia, sendo certo que se manifestam (não sou contra as manifestações, sou a favor do bom senso) contra o aumento do IRS em 1,5% e feitas as contas o que é que isso representa de esforço? Mas, são esses números que deviam ser ditos. Num ordenado de 2 500 € /mês esse valor corresponde a 37,5€. É demais, estamos fartos de demagogia.

Por fim, os católicos em especial os ligados à Banca e a empresas privadas, também, não dão o exemplo. Caso contrário o capitalismo não teria chegado onde chegou e muito desemprego poderia ter sido evitado. É evidente, que o mais fácil é atirar as culpas aos outros, neste caso aos Governos.

Como o exemplo vem de cima e, como por definição os portugueses são solidários como provam as campanhas do Banco Alimentar, vamos pensar em grande e não em esmolas (como dizia à poucos dias atrás o Engº Bruto da Costa, é uma vergonha um país que tem que dar de comer aos seus pobres), temos que dar a cana de pesca e não o peixe.

Vamos ajudar Portugal a sair da crise, sem demagogia, sem paternalismos. Como? Criando emprego estável, mais bem remunerado, reduzindo os lucros das empresas, aproveitando a massa cinzenta nova e menos nova, cumprindo com os deveres de cidadania: pagando impostos, legalizando empresas (abaixo a economia paralela), poupando, deixando o consumo supérfluo.

Temos que mudar de paradigma, passar de uma sociedade do TER para uma sociedade do SER e, isto é trabalho de todos.

Ana de Sousa