Neste tempo tão conturbado em que o mais importante é denegrir tudo o que foi feito e está a ser feito, sem rigor e sem a análise cuidada dos números divulgados (exemplo do resultado do PIB no 1º Trim. de 2010).
Não admira que a gestos isolados de solidariedade, também, se dê pouco relevo. Vem isto a propósito sobre a disponibilidade mensal do deputado do BE, Rui Tavares, de abdicar de 20% do seu salário (7.500 €) o que equivale a 1.500 € para apoiar bolsas de estudo.
Estes gestos devem ser divulgados e replicados, pois há muitos cidadãos e empresas neste país que muito têm beneficiado de apoios de vária ordem, nomeadamente, do Estado e, muitas vezes nem o obrigatório satisfazem, refiro-me ao pagamento de impostos e às contribuições para a Segurança Social.
Os poderosos deveriam ter vergonha face a esta atitude, pois em vez de contribuírem para o Bem Comum vão colocar o seu dinheirinho nos offshores e, depois com grande desplante em vez de reduzirem os seus lucros libertam-se das “gorduras” das empresas, claro os trabalhadores fazendo engrossar a fileira e a taxa dos desempregados. Ou, noutros casos, às vezes com laivos de responsabilidade social, dão trabalho a licenciados com pagamento de salários vergonhosos, nem uma empregada doméstica ganha isso hoje (sem desprimor para o trabalho doméstico), se tivermos em conta que recebem à hora 6,50 €.
Os sindicatos, também, não ficam bem na fotografia, sendo certo que se manifestam (não sou contra as manifestações, sou a favor do bom senso) contra o aumento do IRS em 1,5% e feitas as contas o que é que isso representa de esforço? Mas, são esses números que deviam ser ditos. Num ordenado de 2 500 € /mês esse valor corresponde a 37,5€. É demais, estamos fartos de demagogia.
Por fim, os católicos em especial os ligados à Banca e a empresas privadas, também, não dão o exemplo. Caso contrário o capitalismo não teria chegado onde chegou e muito desemprego poderia ter sido evitado. É evidente, que o mais fácil é atirar as culpas aos outros, neste caso aos Governos.
Como o exemplo vem de cima e, como por definição os portugueses são solidários como provam as campanhas do Banco Alimentar, vamos pensar em grande e não em esmolas (como dizia à poucos dias atrás o Engº Bruto da Costa, é uma vergonha um país que tem que dar de comer aos seus pobres), temos que dar a cana de pesca e não o peixe.
Vamos ajudar Portugal a sair da crise, sem demagogia, sem paternalismos. Como? Criando emprego estável, mais bem remunerado, reduzindo os lucros das empresas, aproveitando a massa cinzenta nova e menos nova, cumprindo com os deveres de cidadania: pagando impostos, legalizando empresas (abaixo a economia paralela), poupando, deixando o consumo supérfluo.
Temos que mudar de paradigma, passar de uma sociedade do TER para uma sociedade do SER e, isto é trabalho de todos.
Ana de Sousa