O analfabetismo da população foi uma das características que marcou o Portugal do século XX. Aquando da implantação da República, Portugal tem cerca de ¾ da sua população sem saber ler nem escrever, valor superior ao dos restantes países do Sul da Europa e muito distante da realidade do Norte da Europa, onde esse problema estava já controlado no início do século XX. Neste domínio estávamos com mais de um século de atraso em relação à Europa mais evoluída.
Em 1960, existiam em Portugal 40% de analfabetos, com uma taxa superior nas mulheres. Esse valor vem descendo até ao último momento censitário (2001), onde a taxa é de 9%, sendo 12% nas mulheres.
Sabendo-se que a eliminação do analfabetismo reside no aumento da escolarização das crianças e em políticas activas de alfabetização de outras camadas da população, a par da renovação de gerações, Portugal, apesar dos progressos verificados, entrou no século XXI ainda com uma parte significativa da população sem acesso a níveis elementares de informação – cerca de um milhão de portugueses encontrava-se nessa situação.
Para ilustrar o que atrás se refere, passamos a indicar a escolaridade obrigatória, por ano, a saber:
Em 1956
4ª classe (sexo masculino)
3ª classe (sexo feminino)
Em 1964
Escolaridade obrigatória – 6 anos
Em 1973
Escolaridade obrigatória – 8 anos
Em 1986
Escolaridade obrigatória – 9 anos (Dos 6 aos 15 anos)
Fonte: 50 anos de estatísticas da educação – Volume I, Instituto Nacional de Estatística, IP (INE) e Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação – GEPE
Ana de Sousa