Daily Archives: 18 de Junho de 2010

Saramago – A nossa homenagem

Na política

O primeiro sinal de acção política data de 1948-49, no âmbito da candidatura do general Norton de Matos a Presidente da República, em oposição ao candidato do regime, o também general Óscar Carmona. Este acto corajoso custou-lhe o emprego na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.

Adere ao PCP, no ano seguinte à da substituição de Salazar por Marcelo Caetano em São Bento, pela mão do amigo Augusto Costa Dias, editor e escritor. Antes daquela data, Saramago já colaborara longamente com o PCP.

Em 1988, dá um sinal de discordância em matéria de funcionamento interno do PCP ao subscrever o reformista Manifesto da ‘Terceira Via’. As três centenas de militantes que o fizeram reivindicavam maior democracia interna, em harmonia com os ventos da ‘perestroika’ soprados por Gorbachov na União Soviética.

Por vezes, revela-se muito incómodo para os poderes estabelecidos. Em 2002 causou clamor em Israel ao comparar “o espírito de Auschwitz [campo de concentração nazi] ao espírito de Ramallah [cidade palestiniana na Cisjordânia, ocupada por Israel]”.

Em 2007, avançou com a previsão surpreendente da integração de Portugal em Espanha, conservando embora a língua e tradições próprias, o que despertou imediatamente reacções contrárias, nomeadamente do Presidente Cavaco Silva.

Mais recentemente, novo sinal de moderação partiu do escritor, exprimindo apoio ao socialista José Luís Zapatero na corrida para renovação de mandato de chefe do Governo nas eleições legislativas espanholas de 9 de Março de 2008. A atitude contrastou com a do PCP, apoiante do PCE.

Na literatura

Os seus romances foram muitas vezes alvo de grande polémica, nomeadamente,
Evangelho segundo Jesus Cristo, que foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, pelo Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, em 1992.
Segundo Lara “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.”
Esta tomada de posição do subsecretário da Cultura António Sousa Lara, foi o empurrão final para uma decisão que já estava a ser equacionada por Saramago, viver alternadamente em Portugal e fora. Este incidente vai levar, no ano seguinte, o escritor e a mulher para Lanzarote (lhas Canárias), onde comprou uma vivenda, que passou a ser a residência fixa do casal.

Em 2009, acontece nova polémica com a Igreja desta vez com o lançamento do romance “Caim”.

Para a história, ficará um Nobel da Literatura portuguesa, um homem de coragem e um dos mais conhecidos escritores de língua portuguesa. Da sua obra destaco dois dos livros que mais me marcaram: “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995 e “Todos os Nomes”, de 1997.

Ana de Sousa

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