Author Archives: Ulisses Neves Pinto

A Crise, com e sem lentes…

Eu sei que tenho andado afastado.

Confesso, que tenho tido pouca paciência e pouca disposição para lidar com os desafios permanentes, produzidos por mentes ocas!

E é um mal, que deixou de ter qualquer referencial geográfico, pois dá-se à direita e o pior é que à esquerda, também.

Quando ouço alguém dizer que se abstém ruidosamente, sinto-me como se estivesse na rua da Betesga. Não sei bem para que lado devo ir…

Fico sem saber se devo ir para o lado da abstenção ou para o lado do ruidoso. É o que se chama uma dúvida existencial!

Sim, porque perante tal desafio, a minha existência fica em dúvida…

Mas eu não tenho nenhum manual de Ciência Política à minha cabeceira, para ver como se fazem essas coisas!

Nem sequer ache, que o problema se resuma a abstenção.

O problema é já um problema de CIDADANIA, um problema CIVILIZACIONAL e sobretudo um problema de pessoas equilibradas!

SUSTENTABILIDADE  é o mote…Parece que tudo é medido em sustentabilidades…Fica-me aquela dúvida, se um dia destes, não colocamos os direitos fundamentais na balança das sustentabilidades, porque assim, como assim, no meio desta história toda, então  sou empurrado a acreditar, que no tempo de Salazar, é que as coisas eram sustentáveis.

Ordenados baixinhos…horários de trabalho sem limites e, ai de quem abrisse a boca, nem que fosse para espirrar…Tarrafal com ele, porque é do contra!charge_divida_publica1

Era assim a SUSTENTABILIDADE da DITADURA!

No meio destas deambulações ( isto sou eu a pensar com os meus botões…), num momento de desespero, dou por mim a descobrir, que outros pensam como eu.

 

Pronto, eu afino, descubro que, penso como outros!…

Refiro-me claro, ao MANIFESTO, subscrito por um conjunto de personalidades, em que destaco, pela proeminência, MARIO SOARES!

Não tenho dúvidas, que este homem é como o vinho, com o passar do tempo fica mais apurado e lúcido!

Lúcido, porque não vai em cantigas, nem acredita em economistas, que resumem as suas soluções a manuais obscuros.

Finalmente, ouço vozes, a fazer ruído, mas que não se abstêm…

Não nos podemos abster! Temos de agir e reagir, perante o que se está a passar. Temos de mostrar a nossa indignação, porque é disso que se trata.

Esta não é uma crise, resultado dos ciclos económicos, que oscilam entre a inflação e a recessão…antes fosse!

Esta é uma crise artificial, provocada e, que objectivamente, tem finalidades. Desigualdades%20sociais

Não percebemos, quais…mas excluo a hipótese, de que seja uma crise de boa-fé!

Quando se advoga a redução de salários, com argumentos falaciosos e pouco sustentáveis, tenho sérias dúvidas e, nem sequer percebo onde possa estar a boa-fé!

passos coelhoQuando empresas públicas, que prestam serviços essenciais, na educação, na saúde e na proteção, são descartadas para o sector privado, então temos de pensar, se quem nos governa e determina os nossos destinos, sejam pessoas de boa-fé.

Porque se estiverem de boa-fé, então tenho de acreditar, que não têm credibilidade ou pior, jogam no campo da incompetência!

É tempo de pensar, se basta a nossa abstenção…se chega uma abstenção ruidosa!

Não creio…NÃO CHEGA!

Precisamos de ir mais longe…precisamos de mostrar o nosso desagrado…

Precisamos de mostrar, que a sustentabilidade, não é princípio, nem fim de nada, é apenas uma aferição!

Seremos Sustentáveis, sim! Quando percebermos, que a sustentabilidade é o exercício da nossa CIDADANIA!

Entretanto, vou dando continuidade às minhas mudanças pessoais, pois com isto tudo e, apesar de tudo, sou um acérrimo defensor da mudança, sem medos, com coragem e optimismo. Pelo menos, devemos tentar. E sempre pela única via verdadeiramente sustentável – a da educação, a do conhecimento.

Ulisses Neves Pinto

Carlos Cruz – Inocente ou Culpado?

Habituei-me a ouvir e ver o Carlos Cruz, com alguma consciência de ser, corriam ainda os anos 70.

Ainda a televisão era a preto e branco e, puxava à nossa imaginação, para descortinar as cores escondidas.ZIP ZIP

Durante uma vida (e eu só tenho uma; mas gostava muito de ter duas!), fui-me dando ao prazer de ver um comunicador nato, envolvido em diferentes e sucessivos programas.

Programas que no meu ponto de vista, sempre primaram por excelência, na apresentação, na criatividade e sobretudo, na temática, que lhe era subjacente.

Carlos-Cruz Hoje, ouço e leio Carlos Cruz, não no seu papel originário, mas antes como um homem agastado, que teima (e não é irónico!) em afirmar a sua inocência, contra tudo e contra todos.

Não sei se o Carlos Cruz é ou não inocente.

Mas uma coisa é certo, não posso deixar de acreditar na Teoria da Conspiração.

Acredito que a Teoria da Conspiração é como as bruxas:

– Nunca ninguém as viu, nem ninguém acredita nelas, mas que as há, lá isso há!

Com a Teoria da Conspiração é quase a mesma coisa, não a vemos, nem a percebemos, mas que existe, disso tenho a certeza!

Agora se a Teoria se aplica ao caso Carlos Cruz, isso, também me deixa curioso…Vou querer ver!

Só espero que ele seja capaz de o provar.

Nisso, estou claramente, ao lado do Carlos Cruz, se ele se sente inocente e, se acha que pode demonstrar a sua inocência, então pode contar com o meu apoio, mesmo que seja só um mero apoio emocional.

Existem erros judiciários?

… Mas claro que existem, esbarramos neles todos os dias!

Não serão os erros judiciários, o grande fundamento daqueles que se opõem à pena de morte?

– Claro que sim!…

Então, escusamos de fechar os olhos e nadar na hipocrisia da ignorância, ou o que é pior, na hipocrisia do preconceito.

Eu não vou querer fazer isso.

Argumentam-me com a convicção dos juízes…

Confesso, que hoje, tenho alguns preconceitos a este respeito!

Não acho que sejam os culpados…Não tenho é dúvidas que o sistema é que é o grande culpado.

Alguns de nós sabemos que num passado ainda recente, as regras de admissão na Magistratura eram muito mais apertadas, sendo o critério da idade e da experiência de vida, valores fundamentais, enquanto critérios de admissão.

Não era uma simples regra de exclusão, nem se pretendia perseguir aqueles licenciados, acabadinhos de sair das Universidades.

Acreditava-se sim, que para se criar uma convicção fundamentada na Lei e na prova produzida, a experiência, a maturidade e até a idade, seriam critérios que determinavam a inclusão ou a exclusão de candidatos à Magistratura.

Sabia-se nesse tempo, que as Universidades não ensinavam estas matérias e, acredito que mesmo depois da Reforma de Bolonha ( ou Bologna?), ainda se continuam a não ensinar.

Hoje, acho que, muitos pensam que é na escola que para lá das matérias académicas, aprendemos também a experiência e a maturidade.

Espero que estes, continuem a viver na sua fé, mas que também fiquem por aí…

Não sei se o Carlos Cruz é ou não culpado…mas também não sei se Sócrates é inocente e, poderia continuar por aqui a debitar nomes…a época anda cheia deles!

Em que gostava de acreditar?

Numa coisa de nada:

– Gostava de poder acreditar numa justiça mais transparente, numa justiça mais límpida.

– Gostava de poder acreditar que a verdade pode andar de mão dada com todos nós e que a verdade nunca será tímida.

Mas, como eu acredito em Bruxas, nunca vou poder acreditar nestas coisas…

Ulisses Neves Pinto

Ainda a entrevista de António José Seguro

Quer se queira, quer não, nos dias que correm, é importante termos uma voz que nos sirva de baliza perante o manancial de informações que vão surgindo nos diferentes quadrantes de opinião.

Não tenho dúvidas que a voz de António José Seguro é uma dessas referências.

No “Expresso” de 15 de Maio, muitos ficaram surpreendidos com a sua entrevista de Vida. O Homem da discrição, firme nas suas convicções e trabalhador afincado, mas até agora na sombra da alternativa, é capa da “Única”. – É agora, pensei! Já urgia!

Pessoalmente, a minha expectativa era grande, mas não fiquei surpreendido. Estava à espera dela. Confesso até que com alguma ansiedade. Era tempo de podermos comungar as suas palavras, reflectir, e se calhar imaginar que o impossível, afinal admite sempre possibilidades alternativas.

Nesta entrevista, encontrei, prazenteiro, um António (que o José e o Seguro me perdoem a falta de cerimónia!), utilizando palavras simples, sem pretensiosismo, sem “esqueletos no armário”, nos conta a sua vida e o seu intuito político de servir da melhor forma a causa pública – contrariamente ao que muitos, demasiados, têm vindo a esquecer.

Mas, verdadeiramente importantes na entrevista não são os fait-divers. O importante é o retrato traçado de um socialista que se afigura como o motor da mudança. Da mudança da sociedade portuguesa para a assumpção de outros valores, aqueles que nos vão permitir singrar. Um socialista que não esquece o seu passado, mas luta por um futuro melhor, um futuro alternativo, um futuro em que todos nós possamos encarar as dificuldades, como factos com solução.

Obrigado António José Seguro, por esta entrevista. Voltei a acreditar que ainda existem políticos, que não se esquecem que são humanos e como todos nós que como qualquer de nós, não deixa de sentir as dificuldades.

Obrigado, António, porque a crise não turva as ideias e não cala a voz de uma pessoa que, com todo o sentido de oportunidade nos diz que há alternativa, e que, creiam, é certa e segura!

 Ulisses Neves Pinto

É a Bíblia um manual de maus costumes?

Com a mudança da hora, terminou a “silly season”, a época das brincadeiras e dos namoricos de praia.

Agora temos o dever de levar a sério, tudo o que fazemos e dizemos.

Não acho que assim tenha sido…

O escritor José Saramago, que hoje, temos alguma dificuldade em perceber, se é Português, se é espanhol, pois nasceu cá, mas vive em Espanha…

…Que nunca temos a certeza, se pensa em português, se pensa em espanhol, resolveu, no seu estilo provocatório, anunciar, que a Bíblia não passa de um repositório de maus costumes.

Por isso, esta afirmação, que fez mover montanhas, que antes estavam sossegadas, deixa-nos na dúvida se foi pensada em espanhol e depois traduzida para português, ou se pelo contrário, pensada em português e depois traduzida nas várias línguas, aqui claro, incluindo o espanhol.

Fosse como fosse, logo que as ditosas palavras saíram da sua boca, choveram “raios e coriscos”, trovejou a norte… geou a sul.

Enfim ficou tudo seco e hirto e, alguns até congelaram com tais palavras.

Não venho para aqui, defender o escritor, primeiro porque ele não precisa de mim.

Depois, porque, pobre de mim, era logo crucificado na praça pública e, quem sabe, teria ainda, direito a uma fogueirita, das que ainda sobraram da Santa Inquisição, sim, porque não foram todas utilizadas…ainda ficaram umas quantas em armazém.

Também não me apetece vir para aqui, fazer juízos de valor, pois dissesse o que dissesse, ou defendesse o que defendesse, tenho a certeza, que me fartava de dar tiros nos pés e, coisa que eu odeio, é coxear!

Pois…Se eu me pusesse aqui a dizer, que o escritor está cheio de razão e, que o que ele diz é tudo verdade, da mais pura, bem, aí…

Ai credo, meu Deus! Eu, um ateu convicto, estava a dizer, que afinal, a minha vida, a minha cultura, a minha história, não passavam de um repositório, de todos esses maus costumes?

Não seria capaz de tal HERESIA!

Mesmo que fosse verdade, eu em primeiro e, depois, todos os que se entretêm a ler estas coisas, tenho a certeza, nenhum deles, me iria perdoar.

Por isso, não me vou pôr aqui, com lérias.

Mas como vivemos em DEMOCRACIA e, a democracia é também, ter o direito, a uma opinião.

E, como também é verdade, que somos povos religiosamente tolerantes, mesmo que esta tolerância, tenha sido construída sobre piras flamejantes.

É pois, esta, a tolerância, que nos permitiu construir as sociedade ocidentais, assente, talvez nos maus costumes da Bíblia ( leia-se a bom rigor: – no Antigo Testamento).

É também, este espírito de partilha de ideias, de tolerância e, de DEMOCRACIA, que permite, a cada um de nós, a capacidade para aceitar, em concordância ou em discordância, as ideias de José Saramago.

A CIDADANIA, não é, nem pode ser, um mero repositório de ortodoxias, fundamentalismos irracionais ou simplesmente radicalismos injustificados.

Ou simplesmente, uma oportunidade, para péssimos protagonismos…

Em minha opinião, foi o que acabou, por acontecer.

Pessoalmente, nem acho que os Católicos, tenham sido especialmente visados, visto que, a parte da Bíblia a que Saramago se refere , parece ser o Antigo Testamento, que não constitui o texto fundamental, para estes crentes!

E, concordo, o Antigo Testamento traz o relato de algumas cenas, que a bem da verdade, fora do contexto histórico, poderiam ser vistas e interpretadas, como maus costumes.

Por isso, só quem não leu a Bíblia, poderia produzir afirmações, também elas, descontextualizadas.

Aliás, o que eu acho, é que alguns dos detractores, apareceram, pelo lado da ignorância, dos contextos.

Se a Bíblia deve ser lida, tendo o cuidado de não fazer interpretações literais do que está escrito, parece-me óbvio, que o mesmo princípio deve ser aplicado ao  escritor José Saramago.

Não estou certo, de que tenha sido o que aconteceu.

Se a afirmação de Saramago, permitiu que uns quantos, incluindo-me, viessem para a Praça Pública, opinar, também permitiu, que outros ( leia-se, eurodeputado Mario David), com uma necessidade de protagonismo fácil, nos premiassem, com um mau exemplo de Cidadania.

É a Bíblia um manual de maus costumes?

Na dúvida e, enquanto Ateu convicto, sobra-me a certeza, que Saramago, arrastou, sem necessidade, um conjunto de ideias, que desnecessariamente, afrontaram as crenças individuais de toda uma comunidade e, assim, escusadamente, feriu sensibilidades.

É caso para recitar: – Perdoai Senhor, aos pecadores, que no contexto do momento, têm o mau costume, de não conseguir, concentrar-se nas questões importantes, deste País.

Ulisses Neves Pinto

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Maitê Proença – Como uma moreninha pode ter uns miolos loirinhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem, quando deambulava pela sala, na esperança de ouvir alguma notícia interessante, a minha atenção é arrebatada por uma notícia estrondosa:

Maitê Proença, resolveu colorir os miolos de loiro e para se estrear resolveu fazer este vídeo.

Não tenho dúvidas que marcou a diferença, em especial conseguiu diferenciar-se das pessoas inteligentes.

Eu até gosto da Maitê, desde o tempo em que começaram a aparecer aquelas telenovelas, onde o pessoal se conhece todo, no meio de um enredo, com umas historinhas sem nexo, já nesse tempo gostava da Maitêzinha, personagem principal destas novelas de cordel.

Enfim, parecia uma rapariguinha jeitosinhascifinewscinemaano1numero11novembro2000 por fora e, isso lá fazia com que eu arregalasse os olhos, talvez por isso nunca tenha ligado pêva às histórias das novelas!

Da Maitê, ainda fiquei com uma ideia, agora das novelas, infelizmente, não!

Pronto, a Piquena, até que era bem

(h)umorada…

Também compreendo, se se faz tanta porcaria nas novelas do Brasil, porque não teria direito a Maitêzinha a fazer a sua borradinha.

Pois foi o que aconteceu, nesta estreia mundial, como realizadora de vídeos caseiros.

Só não compreendo é a comparação com os “Gato Fedorento”, do que sei, este grupo de rapazes costuma fazer humor inteligente.

Aquele tipo humor que nós, por estas partes do Atlântico, tanto apreciamos!

Mas como o Atlântico, deve ser um rio com duas margens, estou em acreditar, que a Maitêzinha se enganou na margem e, andou a filmar as paisagens erradas…

São coisas que acontecem a quem não esteve sob a alçada da Lei da Escolaridade Obrigatória, que agora vai até aos 18 aninhos.

Mas como eu compreendo a Maitêzinha…É tão fácil confundir as coisas…quando a escola, não deve ter  passado de um momento de distracção na sua vida!

Aliás conheço cá, muita rapaziada, que lhe ensinaria bons truques, de como andar na escola, sem ir às aulas.

Pois é Maitêzinha, eu posso compreender que tenha confundido as margens do “rio”, compreendo que nem tenha dado pela diferença na língua que falamos, mas Maitêzinha, nós aqui ainda não confundimos “ação” com “acção” e preferimos Humor a “umores”….

Ulisses Neves Pinto

Presidência: entre escutas e bruxas, em que ficamos?

Há algum tempo, entreti-me aqui a debitar algumas palavras, sobre a “silly season”, ou se quisermos, utilizando uma linguagem mais popularucha, a época dos tolos.

Esta época dos tolos, foi sempre um momento óptimo, para se dizer ou fazer, o que não temos coragem de fazer no resto ano.

Confesso, que não faço a “mínima” [ideia], das razões que levam à identificação desta época, como a época dos tolos.

orelha3[1] Foi também neste período, que se começou a teorizar, sobre as hipotéticas escutas à Presidência da República.

No meio daquela cena da mudança de bandeiras na Câmara de Lisboa, a notícia até me deixou todo baralhado.

No caso das bandeiras, ainda pensei que fosse uma manobra publicitária dos “Gatos Fedorentos”, mas rapidamente percebi que era coisa de tolos a sério.

No caso do PR, a notícia já me tirou do sério…

Quero dizer, não sei bem se fiquei sério, se sorri, pois não consegui pensar alguma coisa coerente.

Que há escutas, é coisa que todos sabemos. Também há bruxas e se fizermos esforço, também podemos acreditar em Gnomos.gifs-animados-orkut-bruxas-05[1]

Até acredito, que de certeza, há alguém, destacado, para lêr as minhas palavras e assim tentar absorver e retirar, as minhas mensagens subliminares.

E acredito nisto tudo, porque, como todos nós, tenho uma costelazinha de teórico da conspiração.

E as escutas, são como as Bruxas: “ …Que las hay, las hay!”

Agora o que me preocupou, foi o prolongamento da época.

Chegámos a Setembro, o grande momento, em que se colocam professores e se  prepara o início do ano lectivo, que é como quem diz, uma época mais séria, pois prepara-se o futuro dos mais novos e, insistentemente, continua-se a falar das escutas e do Sr. Presidente da República.

Aí os meus sentidos, ainda dormentes da época anterior, puseram logo as anteninhas no ar, a coisa, agora, sim!

Parecia coisa séria…

Mas afinal o que se está a passar?

…Aquela velha pergunta de retórica, que tarde ou nunca, conhecemos a resposta!

Como acredito que há bruxas ( nunca vi nenhuma – consta que arderam todas!), também acreditei nesta coisa das escutas.

E também acreditei, que o Sr. Presidente, viesse logo satisfazer a curiosidade de todos nós.

Se eu for escutado, é claro que ninguém liga, até eu!

Mas agora a Presidência da República, é outra história…Ficamos logo todos de olhos revirados a olhar para ele.

E ficámos…

Mas em Agosto, só se ouviu o som das ondas…

Em Setembro, andávamos tão entretidos com o início do ano escolar e no meio, ainda andávamos em campanha eleitoral, que o Sr. Presidente, achou que não nos devia incomodar.cavacosilva2

É legítimo, só se deve incomodar as pessoas, quando temos motivos sérios e ponderosos para o fazer, de outra maneira, devemos deixar descansado, quem anda atarefado.

Depois, lá para o fim de Setembro, deu-se aquela coisa das eleições.

Foi uma felicidade, mais feliz para uns e, menos feliz para outros.

Assim uma coisa tipo: Todos diferentes e todos tão iguais!

E no meio desta felicidade, o Sr. Presidente, finalmente, deu-se ao trabalho de nos incomodar, com os seus problemas.

Como muito bem referiu, até nem costuma fazer coisas destas.

Só o fez, porque foi obrigado.

santinhoE eu acredito que foi obrigado, porque ele me disse e, eu sou dos que vou acreditando nele, porque é o meu Presidente e, se eu não acreditar no Presidente, vou afinal, acreditar em quem??

E eu acreditei em tudo…

O problema, é que não percebi bem…

Afinal, em que é que tenho de acreditar??

Ulisses Neves Pinto

P.S.: Para os mais desatentos, por causa das escutas, tive de utilizar o branco em algumas frases. Umas gotinhas de limão e ficam com o problema resolvido.

Os Velhos do Restelo…

“Estas sentenças tais o velho honradocamoes3
Vociferando estava, quando abrimos
As asas ao sereno e sossegado
Vento, e do porto amado nos partimos.
E, como é já no mar costume usado,
A vela desfraldando, o céu ferimos,
Dizendo: “Boa viagem”, logo o vento
Nos troncos fez o usado movimento.”

 

Quando era um ditoso estudante do ensino secundário, os Lusíadas eram um tema quente, para todos aqueles que aspiravam avançar no nível dos seus conhecimentos.

Era um  tema quente e um tema fogoso…Aquele conjunto estruturado de sonetos, foram para mim e, para os meus colegas uma autêntica escalada até ao pico da sua compreensão!

Nesse tempo, os velhos do Restelo, eram corporizados por aqueles, que irrazoavelmente, se opunham ao desfraldar das velas e à largada das naus, a caminho do conhecimento desconhecido!baco2

Mas o desconhecido, não era ignorância…era a sobrevivência da razão do  heliocentrismo, no meio de muito irracionalismo geocentrista!

Os velhos do restelo eram geocentristas, eram o poder!

Os heliocentricos, eram menos e, se quisermos, delimitavam-se numa minoria iluminada…e razoavelmente culta!

Naquele tempo os velhos do Restelo governavam o Mundo!

Ao ler hoje um artigo de fundo da Sr.ª Ministra da Educação, surgiu-me uma dúvida, que sem margem para dúvidas, tem de ser existencialista:

Quando definimos os velhos do Restelo, qual o critério que devemos aplicar?

– Será que se devem considerar velhos do Restelo, todos aqueles que se opõem ao governo e, no mesmo sentido consideramos os nossos ministros, como o universo dos iluminados?

– Ou pelo contrário, será razoável pensar que somos todos humanos, sujeitos ao erro e que, por maioria de razão, será mais fácil acreditar que os velhos do Restelo estão no governo, sendo os iluminados, aqueles que imaginam a DEMOCRACIA, num plano de diálogo e oposição de ideias.

Do tempo destes velhos do Restelo, d’ “Os Lusíadas”, podemos recordar que os governos da época, eram convulsivamente surdos, teimosamente monologantes e, estupidamente imunes ao erro.

O sucesso de qualquer reforma, depende substancialmente do grau de entendimento e envolvimento do grupo alvo.

No caso específico da educação talvez fosse curioso lembrar as palavras de Roberto Carneiro, ex-Ministro da Educação:

“…Não vamos, de facto, conseguir fazer a Reforma Educativa, nem reabilitar o sistema sem a empenhada motivação dos professores e sem a promoção qualitativa do serviço docente. É na sala de aula e na relação entre o professor e o aluno, que se vai jogar o êxito ou o inêxito da Reforma”.

É por isso que eu valorizo a DEMOCRACIA e o DIÁLOGO, desvalorizando este Valorizar da POLÍTICA…

Talvez fosse tempo de, racionalmente, mostrar bom senso, nas palavras e nas ideias. 

Como os Velhos do Restelo, também eram cegos, surdos e mudos, pergunto-me:
Afinal de que lado estão os Velhos ?

Ulisses Neves Pinto