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Salazar Marialva, ou o equívoco da História!

África Today Online – “Massacres em África” de Felícia Cabrita.

Uma das poucas vezes que dei a minha atenção a Felícia Cabrita foi há uns poucos de anos atrás, no que hoje conhecemos como o ” Processo Casa Pia”.felicia

Não que seja fã ou adepto da sua escrita mas, porque associado à sua figura curiosa, simpatizei com com o seu inconformismo, projectado no seu papel de descolorir uma das fotografias sordidas e cinzentas da nossa história social.

Mas a expectativa, também deu lugar ao descrédito, pois tudo o que é demais também cansa…

…Por isso, também rápidamente no meu imaginário deixou de existir a Felícia Cabrita…Sem juízos de valor!

Para mim a Internet, é um fenómeno que dura à 14 anos…mais coisa, menos coisa!

Como no princípio dos princípios (para mim, claro!), as palavras eram medidas ao caracter e, as imagens eram um bom exercício da imaginação.

No tempo em que o que mais próximo que encontrava da minha língua, era o espanhol.

…No tempo em que uma das diversões nos diferentes foruns, era falar espanhol, pois danava “Amaricanos”…E fazia as delícias de Hispânicos!

…Desde esse tempo que um dos meus vícios é deixar a minha alma vogar por este mundo virtual…

…Sem destino…

…Sem objectivo….

…Sem critério!

Apenas, deixar-me levar pelas correntes e pelas ondas!

Ainda hoje faço isso…

…E, é nessas viagens de descoberta, do acaso, que encontro as coisas mais curiosas e, até inconcebíveis, que um qualquer ser humano como eu, pode encontrar e até entender!

… E foi assim, que sem querer, voltei a encontrar a Felícia! 

Não…Não encontrei a Felícia num bar e muito menos passei a noite a falar com ela!

Encontrei dois títulos…

…Dois títulos que me despertaram a curiosidade:

” Massacres em Àfrica” e

” Mulheres de Salazar”

Confesso que não li nem um, nem outro!

Como não sou crítico literário, espero estar desculpado!

Sobre o primeiro tema, ainda li alguns excertos…Num Forum de saudosistas do regime, que a exemplo de outros (como por exemplo os Nazis alemães), querem fazer-nos acreditar que a história é um equívoco!

Se calhar ambos os títulos, são eles também um equívoco da história.

Não sendo demasiado velho, pelo menos ainda tenho os sentidos todos a trabalhar, sou do tempo de ambos os acontecimentos!

…O primeiro tema, nem sequer é inédito… No meu tempo de estudante, existia na biblioteca escolar, um livro que falava sobre estes acontecimentos! – Confesso que já não me lembro do nome…

De uma forma horrenda diga-se…

E se olharmos pela luneta da parcialidade, não tenho dúvidas da injustificabilidades dos actos!

Costuma-se falar das águas do rio, que tudo levam pela frente, mas poucos se lembram das margens que o comprimem. ( Brecht adaptado)

Se os acontecimentos foram brutais…Vive no nosso esquecimento a brutalidade que os provocou.

Seria interessante conhecer Angola até 61 e como se vivia.

Seria interessante saber como funcionavam as roças de café!

Seria interessante saber como eram engajados “os negros do sul”!

Seria interessante conhecer a mentalidade das margens, que provocaram aquele rio de revolta!

Talvez, por isso, o José Lello não se sinta arrependido!

…E, eu, estou à vontade para falar, porque também deixei lá carne, da minha carne!

O segundo título deixou-me estupefacto!

Confesso que fiquei baralhado com o ditador!

Durante o tempo que vivi no regime, nunca me preocupou muito, quais as apetências sexuais do homem.

Preocupou-me, sempre mais, o Campo de S. Nicolau, que era uma espécie de condomínio fechado, para onde iam os tipos da UPA e mais tarde FNLA!

Os do MPLA, eram sempre muito desastrados e, constava, que caiam dos aviões ( acho que tinham a mania de tropeçar!…) ou então perdiam-se pelo caminho!

O hábito dos desaparecidos, desaparecerem mesmo, já vem daquele tempo!

Bem, por um motivo, ou por outro, os azarentos não chegavam a S. Nicolau!

Também me preocupava o Tarrafal!tarrafal-praia

Naquele tempo, constava que era o único solário de serviço!

O negócio estava ainda no princípio!

Mas aquilo logo que abriu, teve logo muito movimento… Aquilo era só candidatos para a frigideira!

presosE lá iam todos cantando e rindo…

Todos contentes e felizes da vida…

 

 

Atão…Afinal o Ditador, não era ditador, era Marialva!salazar

 

Malvado Vício!

Vou ter que o largar, não vá ainda  descobrir que o mundo é quadrado e, o Universo é uma miragem!

Ulisses Pinto

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Plano D – Democracia, Diálogo e Debate

Em 2005 a Comissão Europeia lançou o Plano D – Democracia, Diálogo e Debate, ao qual ficou fortemente associado o nome da Vice-Presidente Margot Wallström, responsável pelas relações institucionais e pela estratégia da comunicação desta Comissão.

Na altura eram estas as suas palavras:

    O Plano D prende-se com o debate, o diálogo e a escuta. É um meio de aproveitar as ideias políticas para gerar mudanças. Face aos desafios da globalização, as pessoas colocam perguntas difíceis sobre a segurança do emprego e as pensões, a migração e o nível de vida. A Europa tem de se renovar, de modo a fazer parte da solução para estes desafios. O Plano D pretende tornar a União mais democrática, estimular um amplo debate público e criar um novo consenso sobre a futura orientação da União Europeia. Cabe agora aos Estados-Membros dar vida a este processo. Assim, apelo aos Estados-Membros para que aproveitem esta oportunidade para lançarem os debates e assumirem o papel de motor da mudança europeia.

Os grandes objectivos deste Plano são: 

  • Estimular o debate;
  • Processo de “feedback”;
  • Iniciativas fundamentais para reforçar o diálogo.

Em 2006 já se fazia um balanço do que havia sido realizado no esforço de concretizar este Plano.

De facto, a grande motivação para o desenvolvimento e apresentação do Plano D foi o “não” francês ao então “Tratado Constitucional”. Perante esta recusa do povo francês (vozes dizem que não foi ao Tratado, mas razões internas…) percebeu-se que esta coisa da Europa dos Cidadãos teria que passar por uma aproximação da própria EU aos cidadãos dos seus Estados-Membros, que fosse além de uma lógica de informação.

Estava assim encontrada a chave para o sucesso – a comunicação! Desenvolver acções que promovessem o diálogo e o debate, promovendo deste modo, a Democracia. O grande papel na concretização deste Plano está dependente das iniciativas de cada Estado.

Estava assim encontrada a chave para o insucesso!

Eu que me dediquei, no ano passado, apuradamente pesquisando sobre iníciativas assumidas pelos orgãos de soberania e por outras estruturas da nossa democracia, como:

– Presidência da República;

– Governo

– Assembleia da República;

– Partidos Políticos com assento parlamentar;

– Bancadas parlamentares

verifiquei que quase nada foi feito! Criação de debates, blogs, sítios na internet, fórums….nada! Pesquisei ainda em termos de discurso dos média sobre este Plano e acções para o concretizarem…nada! Pesquisei blogs…quase nada!

E lá se vai um plano bem pensado.

O Diálogo e o Debate ficaram no silêncio.

A Democracia….fica mais uma vez no seu reduto filosófico.

Susana

A Vida de um TERTULIANO

Normalmente o TERTULIANO acorda cedo… uns mais cedo que outros!

Todos os TERTULIANOS que eu conheço, costumam tomar o pequeno almoço!

No meu caso acabo com um cigarrinho ( maldito vício, que não me larga!).

Depois de relaxar um pouco (alguns!) está na hora de agarrar um transporte…

Uns vão de METRO, outros vão de CARRO!

Hora de emprego… Quase sempre stressante!

…Mesmo assim, vamos arranjando algum tempo para pensar na próxima TERTÚLIA!

Tarde feita ( às vezes bem tarde!), deixamos o emprego… e, regressamos a casa!

Eu costumo ainda, ir buscar a minha filha… Quero acreditar que tem futuro!

Quando se justifica, telefonamo-nos uns aos outros ou, às vezes, ficamos por um sms ou até um email!

Quando chegamos a casa, fazemos o balanço do dia…

Será que o MUNDO ainda está na mesma? Esta é a grande pergunta… e, a DEMOCRACIA?

Um e outro andam de mãos dadas…

O mundo sem a DEMOCRACIA e a DEMOCRACIA sem o mundo não fariam muito sentido.

É por isso que ainda temos uns quantos recantos sem sentido…

Felizmente são poucos!

Depois de dar uma vista de olhos pelos jornais, de consultar uns quantos blogs e de ouvir umas quantas coisas, toca a escrever um pouco!

É precisamente o que estou a tentar fazer agora!

Não é preciso que se digam muitas coisas sérias… Disso está o mundo cheio…

É preciso sim, que, com um sorriso, possamos ser suficientemente críticos e atentos às metamorfoses do mundo… e, estas são constantes, mas nem sempre muito visíveis, nem sempre muito agradáveis!

Neste momento andamos atentos aos colapsos das ECONOMIAS…

Primeiro na América, com o chumbo do plano financeiro de BUSH… Kevin Lamarque/ReutersE, agora mais perto de nós com a queda de alguns bancos Europeus.

Os Governos da Europa, vêem-se na necessidade de intervir, por forma a evitar o pior, para evitar a falência dos seus grandes bancos… Foi o caso da Alemanha que teve de arranjar maneira para injectar 35 mil milhões de euros para salvar da falência, o Hypo Real… (Não se trata de nenhuma espécie em risco de extinção…Não navegamos no mundo da zoologia!… Os ambientalistas que me perdoem, mas antes fosse!)

…Ou da Inglaterra, que teve de intervir com fundos públicos para salvar os seus grandes bancos!

…Já falei da Bélgica?… Então, não era para esquecer!

Já se fala, no fim de uma economia de mercado tal como a conhecemos…É no fundo a tal crise do “free of choice”, ou se quisermos, numa linguagem mais mundana, a falência das ideias neoliberais

Eu nunca dei muito pelos neoliberais…Esta, para mim, era já, uma crise anunciada…

A minha preocupação é outra… A minha preocupação é a DEMOCRACIA QUE FUTURO

…A minha preocupação são as pessoas!

O capitalismo desregrado, sem reguladores externos, está a mostrar os efeitos de ter levado as economias aos limites – com a crise do petróleo e da política de preços dos combustíveis, parece-me que estes limites foram claramente ultrapassados!- das equações deterministas…

Parece-me que é dado assente, que o que funciona equilibradamente dentro de determinados universos e com um conjunto definido de variáveis, acaba por falhar se alterarmos significativamente os valores dessas mesmas variáveis…

A Natureza, incluindo a natureza humana, não é como pensamos, naturalmente equilibrada e ordenada… Um conjunto de variáveis definidas, não se traduzem necessáriamente num conjunto pré-determinado de resultados.

Estas variáveis são, mais ou menos, afectadas por um universo de pequenas variáveis, muitas das vezes, inquantificáveis, que acabam por afectar resultados e traduzir comportamentos desajustados com o esperado…

Não sei, se as economias tradicionais vão encontrar nos seus manuais, soluções para o problema que têm nas mãos!

…Já não tenho dúvidas, que deram conta do erro!

Há uns dias atrás, alguém de quem prezo muito a opinião, recordava-me os últimos  94 anos da história da EUROPA…

Dizia-me ele,que temos já os ingredientes todos… O que será que pode vir então a ser cozinhado?

Não quero assustar, nem assustar-me…Mas que o momento é de reflexão profunda, disso não tenhamos dúvidas!

Já se ouvem uns rumores

Os adversários da DEMOCRACIA , andam, perigosamente, a organizar-se por esta EUROPA.

Reflectir sobre estas matérias, torna-se um exercício importante para cada um de nós, enquanto CIDADÃOS!

Entretanto, nós por cá, insistimos na calma e, na ideia, de que tudo isto são coisas dos outros (dos “abroad”)…

…Se ficarmos sossegados e caladinhos, pode ser que a crise nos passe ao lado!

Eu até gostava de acreditar…Mas será mesmo assim?

Ulisses Neves Pinto