VIA LATINA

Para uma reflexão

9 09UTC Novembro 09UTC 2009 · Deixe um comentário

Mais uma vez partilho, neste espaço, um artigo do Anselmo Borges (padre e teólogo), com o título “Homossexualidade e casamento” publicado no dia 7 de Novembro, no Diário de Notícias.

Este texto, pode ser um bom ponto de partida para uma reflexão, mais profunda e apartidária, sobre um tema que já está por aí.

“As religiões, concretamente as monoteístas, condena(ra)m, nos seus textos, por vezes sob ameaça de morte, a homossexualidade.
Assim, lê-se no Levítico: “Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometeram ambos um acto abominável; serão os dois punidos com a morte”.
Mas, segundo M. Darnault, em Le monde des religions, o texto que está na base da homofobia cristã é o relato bíblico de Sodoma e Gomorra. Dois homens, enviados de Deus, chegaram a Sodoma e Lot acolheu-os pela noite, mas a população encolerizou-se: “Ainda se não tinham deitado, quando os homens da cidade rodearam a casa e chamaram Lot: ‘Onde estão os homens que entraram na tua casa esta noite? Trá-los para fora, a fim de os conhecermos.” Avançaram para arrombar a porta, mas os dois homens feriram-nos de cegueira, mandaram Lot fugir com a família e “o Senhor fez cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo”, que tudo destruiu. Aquele “a fim de os conhecermos” é um eufemismo para relações homossexuais e de Sodoma proveio sodomia.
É também sobre esta narrativa do “povo de Lot” que se apoia o Alcorão para reprovar esta “acção infame” e “torpe”. A suna prescreve a pena de morte, a maior parte das vezes por lapidação.
O fundamento da estigmatização teológica e canónica da homossexualidade, apoiada por especialistas da teologia moral, como São Tomás de Aquino, encontra-se no desenvolvimento do tema da depravação de práticas consideradas “contra a natureza”, como já São Paulo tinha escrito na Carta aos Romanos: “Foi por isso que Deus os entregou a paixões degradantes. Assim as suas mulheres trocaram as relações naturais por outras que são contra a natureza. E o mesmo acontece com os homens: deixando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se em desejos de uns pelos outros”.
O Catecismo da Igreja Católica diz: “Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que ‘os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados’. São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, receber aprovação. Um número não desprezível de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundas. Eles não escolhem a sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta”.
Parece seguir-se o princípio da condenação do acto, não das pessoas. Também o Dalai Lama, em 2001, declarou que “a homossexualidade faz parte do que chamamos ‘uma má conduta sexual’”, rectificando depois: “Só o respeito e a atenção ao outro deveriam governar a relação do casal, hetero ou homossexual”. Na Igreja anglicana, há debates acesos por causa da ordenação de bispos gays e bênçãos de casais homossexuais.
Entretanto, em 1993, a OMS retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais.
Recentemente, houve um apelo lançado por 66 países para a despenalização universal da homossexualidade a que se associou o Vaticano. Ainda bem. E não deve haver lugar para discriminação. Julgo também que não há razões para negar a comunhão a quem tem essa orientação.
O Estado deveria encontrar uma forma de união com consequências jurídicas semelhantes às dos casados. Mas, como já aqui escrevi, a questão reside em saber se há-de chamar-se-lhe casamento. O problema é mais do que religioso e as palavras não são indiferentes, pois não pode dar-se o mesmo nome ao que é diferente. Como disse o filósofo ateu Bertrand Russell, “o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra: é uma instituição que, através do facto de dela provirem filhos, forma parte da textura íntima da sociedade, e tem uma importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher”. Assim, o que a sociedade tem de resolver é se considera o casamento essa instituição ou uma mera contratualização de afectos.”

Ana de Sousa

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O que se passou no Jornal Público?

1 01UTC Novembro 01UTC 2009 · Deixe um comentário

A mudança anunciada do director do jornal nada teria de inédito não fosse o conteúdo dos dois últimos editoriais, o de despedida de 31 de Outubro, da responsabilidade do José Manuel Fernandes e o editorial de hoje, dia 1 de Novembro.

A saída de JMF, segundo ele, pensada desde Maio último nada tem de anormal. Afinal tem 52 anos, 11 dos quais como director do jornal, ainda, é jovem para fazer outras coisas. Até aqui tudo bem.

Do seu editorial destaco dois parágrafos:

(…)
“Pela exigência que sempre colocámos em tudo quanto fizemos, mesmo nos projectos que nunca chegaram tão longe quanto desejámos. Exigência editorial, marca de água desta casa. Mas também exigência como projecto empresarial, pois a Sonae, correctamente, nunca desistiu de conjugar o sucesso editorial com o sucesso empresarial.”
(…)
“É mesmo condição de vitalidade de uma democracia aberta ter jornais que publicam histórias incómodas, e directores que escrevem textos controversos.”

Do editorial de hoje, dia 1 de Novembro, realço os seguintes parágrafos:
(…)
“A razão de estarmos aqui hoje é anterior a tudo isso. (Referem-se aos incidentes que rodearam a última campanha para as legislativas). Mas não escamoteamos o facto de ser nossa primeira obrigação repor essa credibilidade ameaçada, conscientes que estamos da percepção pública de um excesso de peso ideológico no jornal. Acreditamos num jornalismo culto e responsável, que desafia o sensacionalismo e as agendas informativas cada vez mais estreitas.”
(…)
“Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página.”
(…)
“Não queremos inflacionar as expectativas, queremos corresponder aos leitores. Sabemos que o PÚBLICO é o jornal dos leitores exigentes, curiosos e atentos, das pessoas que pensam e que querem que o seu jornal seja um instrumento para pensar mais. Os nossos leitores – 250 mil por dia – são pessoas que sabem e que querem saber mais. São os melhores – e os mais severos – leitores.”

Não posso estar mais de acordo com este último parágrafo. Votos de bom trabalho e maior isenção.

Para reflexão, deixo o último parágrafo do Cândido, de Voltaire, Pangloss dizia por vezes a Cândido:

- Todos os sucessos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis; porque, enfim, se vós não tivésseis sido expulso de um belo castelo com grandes pontapés no traseiro por amor da menina Cunegundes, se vós não tivésseis passado pela Inquisição, se vós não percorrêsseis a América a pé, se vós não tivésseis dado um golpe de espada no barão, se vós não tivésseis perdido todos os vossos carneiros do maravilhoso Eldorado, vós não estaríeis aqui a comer os limões, doces e pistácios.

Ana de Sousa

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É a Bíblia um manual de maus costumes?

29 29UTC Outubro 29UTC 2009 · Deixe um comentário

Com a mudança da hora, terminou a “silly season”, a época das brincadeiras e dos namoricos de praia.

Agora temos o dever de levar a sério, tudo o que fazemos e dizemos.

Não acho que assim tenha sido…

O escritor José Saramago, que hoje, temos alguma dificuldade em perceber, se é Português, se é espanhol, pois nasceu cá, mas vive em Espanha…

…Que nunca temos a certeza, se pensa em português, se pensa em espanhol, resolveu, no seu estilo provocatório, anunciar, que a Bíblia não passa de um repositório de maus costumes.

Por isso, esta afirmação, que fez mover montanhas, que antes estavam sossegadas, deixa-nos na dúvida se foi pensada em espanhol e depois traduzida para português, ou se pelo contrário, pensada em português e depois traduzida nas várias línguas, aqui claro, incluindo o espanhol.

Fosse como fosse, logo que as ditosas palavras saíram da sua boca, choveram “raios e coriscos”, trovejou a norte… geou a sul.

Enfim ficou tudo seco e hirto e, alguns até congelaram com tais palavras.

Não venho para aqui, defender o escritor, primeiro porque ele não precisa de mim.

Depois, porque, pobre de mim, era logo crucificado na praça pública e, quem sabe, teria ainda, direito a uma fogueirita, das que ainda sobraram da Santa Inquisição, sim, porque não foram todas utilizadas…ainda ficaram umas quantas em armazém.

Também não me apetece vir para aqui, fazer juízos de valor, pois dissesse o que dissesse, ou defendesse o que defendesse, tenho a certeza, que me fartava de dar tiros nos pés e, coisa que eu odeio, é coxear!

Pois…Se eu me pusesse aqui a dizer, que o escritor está cheio de razão e, que o que ele diz é tudo verdade, da mais pura, bem, aí…

Ai credo, meu Deus! Eu, um ateu convicto, estava a dizer, que afinal, a minha vida, a minha cultura, a minha história, não passavam de um repositório, de todos esses maus costumes?

Não seria capaz de tal HERESIA!

Mesmo que fosse verdade, eu em primeiro e, depois, todos os que se entretêm a ler estas coisas, tenho a certeza, nenhum deles, me iria perdoar.

Por isso, não me vou pôr aqui, com lérias.

Mas como vivemos em DEMOCRACIA e, a democracia é também, ter o direito, a uma opinião.

E, como também é verdade, que somos povos religiosamente tolerantes, mesmo que esta tolerância, tenha sido construída sobre piras flamejantes.

É pois, esta, a tolerância, que nos permitiu construir as sociedade ocidentais, assente, talvez nos maus costumes da Bíblia ( leia-se a bom rigor: – no Antigo Testamento).

É também, este espírito de partilha de ideias, de tolerância e, de DEMOCRACIA, que permite, a cada um de nós, a capacidade para aceitar, em concordância ou em discordância, as ideias de José Saramago.

A CIDADANIA, não é, nem pode ser, um mero repositório de ortodoxias, fundamentalismos irracionais ou simplesmente radicalismos injustificados.

Ou simplesmente, uma oportunidade, para péssimos protagonismos…

Em minha opinião, foi o que acabou, por acontecer.

Pessoalmente, nem acho que os Católicos, tenham sido especialmente visados, visto que, a parte da Bíblia a que Saramago se refere , parece ser o Antigo Testamento, que não constitui o texto fundamental, para estes crentes!

E, concordo, o Antigo Testamento traz o relato de algumas cenas, que a bem da verdade, fora do contexto histórico, poderiam ser vistas e interpretadas, como maus costumes.

Por isso, só quem não leu a Bíblia, poderia produzir afirmações, também elas, descontextualizadas.

Aliás, o que eu acho, é que alguns dos detractores, apareceram, pelo lado da ignorância, dos contextos.

Se a Bíblia deve ser lida, tendo o cuidado de não fazer interpretações literais do que está escrito, parece-me óbvio, que o mesmo princípio deve ser aplicado ao  escritor José Saramago.

Não estou certo, de que tenha sido o que aconteceu.

Se a afirmação de Saramago, permitiu que uns quantos, incluindo-me, viessem para a Praça Pública, opinar, também permitiu, que outros ( leia-se, eurodeputado Mario David), com uma necessidade de protagonismo fácil, nos premiassem, com um mau exemplo de Cidadania.

É a Bíblia um manual de maus costumes?

Na dúvida e, enquanto Ateu convicto, sobra-me a certeza, que Saramago, arrastou, sem necessidade, um conjunto de ideias, que desnecessariamente, afrontaram as crenças individuais de toda uma comunidade e, assim, escusadamente, feriu sensibilidades.

É caso para recitar: – Perdoai Senhor, aos pecadores, que no contexto do momento, têm o mau costume, de não conseguir, concentrar-se nas questões importantes, deste País.

Ulisses Neves Pinto

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Leica em Portugal

18 18UTC Outubro 18UTC 2009 · Deixe um comentário

A procura de mão-de-obra barata fez com que a empresa Leitz, produtora das câmaras Leica, instalasse uma unidade produtiva em Vila Nova de Famalicão há 36 anos.

Porquê Famalicão? Os trabalhadores da Leica tinham trabalhado na antiga fábrica de relógios Reguladora, alguns dos quais ainda se encontram nas estações de comboio. Como curiosidade, o director de produção, Bernhard Muller diz que quem sabe fazer filigrana também sabe fazer máquinas fotográficas.

Esta experiência de trabalho pesou na decisão da empresa alemã, bem como a proximidade de um colégio alemão no Porto, de uma igreja evangélica alemã e de uma igreja católica alemã. Aliás, estes factores não são bizarros se tivermos em conta que na altura vieram vinte famílias alemãs para Portugal para abrir a fábrica.

Esta unidade fabril emprega 501 trabalhadores, sendo que 40 por cento estão na Leica há mais de 20 anos.

Ana de Sousa

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Maitê Proença – Como uma moreninha pode ter uns miolos loirinhos.

14 14UTC Outubro 14UTC 2009 · Deixe um comentário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem, quando deambulava pela sala, na esperança de ouvir alguma notícia interessante, a minha atenção é arrebatada por uma notícia estrondosa:

- Maitê Proença, resolveu colorir os miolos de loiro e para se estrear resolveu fazer este vídeo.

Não tenho dúvidas que marcou a diferença, em especial conseguiu diferenciar-se das pessoas inteligentes.

Eu até gosto da Maitê, desde o tempo em que começaram a aparecer aquelas telenovelas, onde o pessoal se conhece todo, no meio de um enredo, com umas historinhas sem nexo, já nesse tempo gostava da Maitêzinha, personagem principal destas novelas de cordel.

Enfim, parecia uma rapariguinha jeitosinhascifinewscinemaano1numero11novembro2000 por fora e, isso lá fazia com que eu arregalasse os olhos, talvez por isso nunca tenha ligado pêva às histórias das novelas!

Da Maitê, ainda fiquei com uma ideia, agora das novelas, infelizmente, não!

Pronto, a Piquena, até que era bem

(h)umorada…

Também compreendo, se se faz tanta porcaria nas novelas do Brasil, porque não teria direito a Maitêzinha a fazer a sua borradinha.

Pois foi o que aconteceu, nesta estreia mundial, como realizadora de vídeos caseiros.

Só não compreendo é a comparação com os “Gato Fedorento”, do que sei, este grupo de rapazes costuma fazer humor inteligente.

Aquele tipo humor que nós, por estas partes do Atlântico, tanto apreciamos!

Mas como o Atlântico, deve ser um rio com duas margens, estou em acreditar, que a Maitêzinha se enganou na margem e, andou a filmar as paisagens erradas…

São coisas que acontecem a quem não esteve sob a alçada da Lei da Escolaridade Obrigatória, que agora vai até aos 18 aninhos.

Mas como eu compreendo a Maitêzinha…É tão fácil confundir as coisas…quando a escola, não deve ter  passado de um momento de distracção na sua vida!

Aliás conheço cá, muita rapaziada, que lhe ensinaria bons truques, de como andar na escola, sem ir às aulas.

Pois é Maitêzinha, eu posso compreender que tenha confundido as margens do “rio”, compreendo que nem tenha dado pela diferença na língua que falamos, mas Maitêzinha, nós aqui ainda não confundimos “ação” com “acção” e preferimos Humor a “umores”….

Ulisses Neves Pinto

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Psicanalista precisa-se!

11 11UTC Outubro 11UTC 2009 · Deixe um comentário

Os nossos políticos precisam, urgentemente, de se sentarem ou melhor de se deitarem no divã.
Nos tempos de crise que vivemos, apregoada por todos os economistas da direita à esquerda, não conseguimos entender a obssessão doentia de alguns partidos políticos, em especial, do PSD que tanto apregoou a responsabilidade e, no momento da verdade se atira ao PS ameaçando não viabilizar o Orçamento para 2010.

Afinal, onde estão os interesses do país e dos portugueses? Na campanha o PSD não via mal nenhum num governo minoritário, até aqui nada de mal, mas como o resultado foi o contrário já não querem entrar em negociações com o governo.

É falta de bom senso e sentido de Estado.

Só vejo uma solução procurem um Psicanalista. Há muita frustação nos nossos políticos. Se calhar não fizeram muitas palhaçadas em pequeninos e, ainda, para serem alguém na vida tiveram que tirar um curso superior. Sinais dos tempos. Se fosse no século 21 esse problema não se punha, escolhiam o Chapitô ou outra qualquer escola superior e tinham a profissão adequada. Asssim, não são Palhaços de facto (com todo o respeito que a profissão e escolas me merecem), mas fazem figura de palhaços.

Ana de Sousa

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Parabéns Obama – Demos voz à Esperança

11 11UTC Outubro 11UTC 2009 · Deixe um comentário

Um prémio, seja ele qual for, é sempre motivo de opiniões contraditórias. Os premiados acham-no merecido os outros não. Já diz o povo: “Deus que é Deus não agrada a todos”. De facto, a mesquinhez, a inveja, a arrogância, entre outros sentimentos não deixam ver, cegam mesmo as pessoas.

Vem isto a propósito do Prémio Nobel da Paz, atribuído a Barak Obama. Com certeza que o tempo é pouco, mas se já se tivessem passados anos haveria discordâncias à mesma. Desde logo porque um prémio só premeia um indivíduo e a nivel mundial, a probabilidade de ser consensual é de todo impossível.

Da análise que fiz dos vários depoimentos a favor e contra, uma coisa eu consigo concluir, a perplexidade face a esta escolha é mais notória nos que adoram Bush e que apesar do tempo ter demonstrado o desastre que ele representou para a humanidade, continuam a defendê-lo como se nada tivesse acontecido. Destes, não posso deixar de referir o texto do Pacheco Pereira, no artigo do Público de 10 de Outubro, do qual cito: “… A diferença substancial é que, mal ou bem, Bush era temido até por ser errático e não afastar a possibilidade de retaliação militar e Obama não o é de todo. Obama é “estimado”, até ao dia em que a sua administração fique acossada e ele tenha que fazer alguma coisa após muita hesitação.” É pena que certas pessoas tão dotadas intelectualmente sejam tão pouco ou mesmo nada humildes para admitir que Bush foi mesmo um desastre.

Afinal, o mais importante em Obama é ser um político dotado de um grande carisma, espiritualidade, convicção, forma genuína de fazer política e diplomacia. E isto é que é difícil, tanto mais que só acontece com alguns, é um dom. Temos que acreditar que um estímulo, pode ajudar ao resultado final.

Em nome da Esperança que este prémio representa e, acreditando que o premiado o vai receber com a responsabilidade e humildade que o caracterizam, façamos uma onda de unidade em torno do tema A PAZ É POSSÍVEL, desde logo nos nossos corações. Não esqueçam o que aconteceu com TIMOR.

Ana de Sousa

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Presidência: entre escutas e bruxas, em que ficamos?

30 30UTC Setembro 30UTC 2009 · 1 Comentário

Há algum tempo, entreti-me aqui a debitar algumas palavras, sobre a “silly season”, ou se quisermos, utilizando uma linguagem mais popularucha, a época dos tolos.

Esta época dos tolos, foi sempre um momento óptimo, para se dizer ou fazer, o que não temos coragem de fazer no resto ano.

Confesso, que não faço a “mínima” [ideia], das razões que levam à identificação desta época, como a época dos tolos.

orelha3[1] Foi também neste período, que se começou a teorizar, sobre as hipotéticas escutas à Presidência da República.

No meio daquela cena da mudança de bandeiras na Câmara de Lisboa, a notícia até me deixou todo baralhado.

No caso das bandeiras, ainda pensei que fosse uma manobra publicitária dos “Gatos Fedorentos”, mas rapidamente percebi que era coisa de tolos a sério.

No caso do PR, a notícia já me tirou do sério…

Quero dizer, não sei bem se fiquei sério, se sorri, pois não consegui pensar alguma coisa coerente.

Que há escutas, é coisa que todos sabemos. Também há bruxas e se fizermos esforço, também podemos acreditar em Gnomos.gifs-animados-orkut-bruxas-05[1]

Até acredito, que de certeza, há alguém, destacado, para lêr as minhas palavras e assim tentar absorver e retirar, as minhas mensagens subliminares.

E acredito nisto tudo, porque, como todos nós, tenho uma costelazinha de teórico da conspiração.

E as escutas, são como as Bruxas: “ …Que las hay, las hay!”

Agora o que me preocupou, foi o prolongamento da época.

Chegámos a Setembro, o grande momento, em que se colocam professores e se  prepara o início do ano lectivo, que é como quem diz, uma época mais séria, pois prepara-se o futuro dos mais novos e, insistentemente, continua-se a falar das escutas e do Sr. Presidente da República.

Aí os meus sentidos, ainda dormentes da época anterior, puseram logo as anteninhas no ar, a coisa, agora, sim!

Parecia coisa séria…

Mas afinal o que se está a passar?

…Aquela velha pergunta de retórica, que tarde ou nunca, conhecemos a resposta!

Como acredito que há bruxas ( nunca vi nenhuma – consta que arderam todas!), também acreditei nesta coisa das escutas.

E também acreditei, que o Sr. Presidente, viesse logo satisfazer a curiosidade de todos nós.

Se eu for escutado, é claro que ninguém liga, até eu!

Mas agora a Presidência da República, é outra história…Ficamos logo todos de olhos revirados a olhar para ele.

E ficámos…

Mas em Agosto, só se ouviu o som das ondas…

Em Setembro, andávamos tão entretidos com o início do ano escolar e no meio, ainda andávamos em campanha eleitoral, que o Sr. Presidente, achou que não nos devia incomodar.cavacosilva2

É legítimo, só se deve incomodar as pessoas, quando temos motivos sérios e ponderosos para o fazer, de outra maneira, devemos deixar descansado, quem anda atarefado.

Depois, lá para o fim de Setembro, deu-se aquela coisa das eleições.

Foi uma felicidade, mais feliz para uns e, menos feliz para outros.

Assim uma coisa tipo: Todos diferentes e todos tão iguais!

E no meio desta felicidade, o Sr. Presidente, finalmente, deu-se ao trabalho de nos incomodar, com os seus problemas.

Como muito bem referiu, até nem costuma fazer coisas destas.

Só o fez, porque foi obrigado.

santinhoE eu acredito que foi obrigado, porque ele me disse e, eu sou dos que vou acreditando nele, porque é o meu Presidente e, se eu não acreditar no Presidente, vou afinal, acreditar em quem??

E eu acreditei em tudo…

O problema, é que não percebi bem…

Afinal, em que é que tenho de acreditar??

Ulisses Neves Pinto

P.S.: Para os mais desatentos, por causa das escutas, tive de utilizar o branco em algumas frases. Umas gotinhas de limão e ficam com o problema resolvido.

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Até o Provedor

30 30UTC Setembro 30UTC 2009 · Deixe um comentário

Há momentos infelizes!
A intervenção, de ontem, do Presidente da República revela que até o PR tem dias muito infelizes. É vê-lo na pele do cidadão Aníbal Cavaco Silva. É difícil, para não dizer impossível ver neste registo o Presidente de todos os portugueses. Em vez disso, temos um cidadão comum, um discurso em que muitas das coisas não fazem sentido, desde logo o não ter actuado há mais tempo, não o ter feito nos locais e com as pessoas certas, falta de tacto no timing escolhido, e pasme-se a alta preocupação com o sistema informático de Belém que, segundo o PR regista alguma vulnerabilidade. Até no Pentágono isso acontece.

Há maldades escondidas!
Por tudo isto, sente-se que a máscara caiu e ficou o homem, com sentimentos de raiva, de intolerância, com ódios de estimação…

Há poeira no ar!
O que resta? Muita ambiguidade, muito por dizer. Será que há mesmo algo mais a dizer. Para o cidadão comum, fica quase a certeza que alguém tramou Belém (PR). Acaso a “guerra” que rebentou no Público? Despedimentos, negociação de contratos, ambiente de cortar à faca. Não esquecer a polémica entre o JMF e o Joaquim Vieira, o provedor do leitor. Com estes ingredientes, alguém verdadeiramente ferido de morte pode ter dado a conhecer aos dois jornais a informação que só o Diário de Notícias publicou. Até esse momento, nada tinha acontecido de concreto, nem desmentidos, nem o afastamento de nenhum assessor, nem sequer a avaliação do sistema informático, este só foi analisado ontem.

Não admira que todos os portugueses digam à boca cheia que é preciso mais explicações. Até o Provedor da Justiça, enquanto cidadão, referiu precisar de ser esclarecido.

Aguardemos os próximos episódios, o Dr. Aníbal Cavaco Silva sempre nos tem brindado com os seus tabus. Só lamentamos que a sua temosia não o deixe ouvir quem tem bom senso.

Ana de Sousa

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Parabéns

21 21UTC Setembro 21UTC 2009 · Deixe um comentário

Para o Ulisses os nossos parabéns e votos de um dia 22 cheio de coisas boas junto das suas meninas.
Um abraço amigo,
Ana e Rogério

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